O Calendário Gregoriano e os 10 dias que não existiram

5 de abril de 2021

Até o século XVI, nós vivíamos sob as regras do Calendário Juliano, instituído pelo imperador Júlio César. Só que esse calendário tinha uma série de erros. Ele foi substituído pelo Calendário Gregoriano, mandado fazer pelo Papa Gregório XIII e que começou a ser instituído em 4 de outubro de 1582. Bem, “começou a ser instituído” é um jeito de dizer, pois essa transformação durou quase 300 anos, conforme o lugar, o governante, a religião.

De início, as folhinhas tiveram que pular de 4 para 15 de outubro de 1582. Atenção: isso foi feito no século XVI, acompanhado pouco a pouco pelos países; como a coisa era lenta, não provocou maiores tumultos. De cara, Portugal, Espanha, França e parte da Itália aceitaram a mudança; em 1583, Áustria e católicos da Suíça e da Alemanha; 1586, Polônia; 1587, Hungria; 1700, os protestantes alemães e suíços, mais Noruega e Dinamarca. O último país a adotar o Calendário Gregoriano foi a Turquia, em 1926.

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Uma grande confusão aconteceu na Inglaterra. O rei George II fez a mudança em 1752. Só que aí 170 anos haviam se passado. A Inglaterra¸ na linha de frente da Revolução Industrial, já era a dona do mundo, lugar que ocuparia até a Segunda Grande Guerra. Mudar o calendário em um império tão grande?! Imagine alguém dormir no dia 2 de setembro e acordar no dia 14… Isso é que é sono!! Até hoje na Inglaterra e em ex-colônias, como os Estados Unidos, fala-se nos “dias roubados”.

Essa não foi a única confusão. Na França, o rei Carlos IX decidiu implantar a novidade antes até de o Papa tornar a coisa obrigatória, determinando que, a partir de 1564, o ano começasse em 1º de janeiro. Até então, fazia-se uma grande celebração a partir de 25 de março, com festas, trocas de presentes, danças e comilanças, que só terminava em 1º de abril – e aí, como ocorre com nosso Carnaval, o ano começava para valer. Como as comunicações eram muito precárias, demorou até todo mundo aceitar a mudança.

E quem não concordou com o novo calendário e preferia o sistema antigo? Ora, quem comemorasse o réveillon em 1º de abril era um tolo, um bobo – daí o Dia dos Tolos e, logo, Dia da Mentira.

(Warde Marx, Aí Tem História, especial para o “Olá, Curiosos!”)

Leia também:
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