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“O amigo alemão”: como piloto alemão salvou um americano na Segunda Guerra

10 de junho de 2021

Durante a Segunda Guerra, a Focke-Wulf era uma fábrica de aviões muito importante, instalada na cidade de Bremen, na Alemanha, e, por isso, muito bem protegida. Em volta dela, havia 250 canhões antiaéreos. Mesmo assim, precisava ser destruída. E aí tem História, conta o professor Warde Marx.

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Em 20 de dezembro de 1943, uma esquadrilha dos bombardeiros conhecidos como “fortalezas voadoras” (aqueles que se defendem com metralhadoras que giram), uma delas comandada pelo tenente Charles Brown, saiu da Inglaterra e dirigiu-se a Bremen. Cumprida a missão, os aviões começaram a voltar. Só que o avião do Charles Brown foi muito atingido – o rádio já era; dos quatro motores, só um funcionava; a frente do avião tinha sido destruída e um frio de menos 60º entrava com tudo; um dos atiradores estava morto; os outros nove tripulantes estavam feridos, inclusive o comandante, que deu uma apagada e a aeronave quase caiu.

Em uma base aérea, um piloto alemão estava abastecendo seu caça Messerschmitt com combustível e munição, quando ouviu o som do avião americano. Decolou e foi atrás do inimigo. Era o também tenente Ludwig Franz Stigler, filho de piloto militar e um ás da aviação de caça. Já havia abatido muitos inimigos e tinha sido ferido em combate várias vezes. Antes de abrir fogo com sua metralhadora calibre 50, Stigler deu uma boa olhada na aeronave americana. Pelos pedaços arrancados da fuselagem , ele viu os tripulantes mortos. Emparelhou os aviões e viu o piloto também ferido. Na hora, ele se lembrou de seu instrutor de combate, tenente Gustav Roedel. Ele ensinou: não podemos esquecer que, mesmo na guerra, existe ética, honra. Stigler lembrou bem da frase: “Se souber que você atirou num homem de paraquedas, eu mesmo vou atrás de você e derrubo seu avião”. O alemão pensou: “Nunca vi um avião tão atingido e que continua voando. Era como se todos eles estivessem de paraquedas”.

Tentou guiar os americanos para a Suécia, que era neutra e era o lugar seguro mais próximo. Acenou, gesticulou, tudo sem resultado. Quando chegasse à beira-mar, a artilharia alemã iria acabar com eles. Então, lembrou que, de vez em quando, os alemães pegavam aviões capturados para fazer experimentos. Aí ele praticamente colou na Fortaleza Voadora. Deu certo. Quando estavam seguros, voltou à sua base e Charles Brown conseguiu pousar na Inglaterra.

Em 1987, o americano, que continuou na Aeronáutica, começou a buscar informações do “amigo alemão”. Tentou de muitas maneiras. Descobriu que a aviação alemã tinha uma revista e escreveu para lá. Conseguiu: Franz era um empresário bem sucedido, que estava morando no Canadá desde 1953. Trocaram muitas cartas e telefonemas. Até que rolou o encontro em 1990. E nunca mais se largaram, viraram grandes amigos. Ou, como disse Charlie, “esse é meu irmão que eu não via há mais de 40 anos”. Em março de 2008, Stigler morreu. Oito meses depois, foi a vez de Charles. Conheceram-se no céu. Devem ter ser se encontrado por lá novamente.

Essa história foi contada em detalhes no livro “O amigo alemão: a apaixonante história de como um piloto alemão poupou a vida de um piloto americano na Segunda Guerra Mundial e ganhou um amigo para sempre”, escrito por Adam Makos e Larry Alexander, em 2017. A Geração Editorial lançou o livro no Brasil.

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