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10 conflitos políticos em Copas do Mundo

24 de abril de 2019

1. A Copa do Mundo de 1934 foi disputada na Itália sob o regime do ditador Benito Mussolini. A seleção italiana chegou a jogar de preto, cor do exército fascista.

2. A Áustria foi anexada à Alemanha do ditador Adolf Hitler e não pôde participar da Copa de 1938, pois tinha sido obrigada a ceder seus jogadores à seleção alemã. Era o prenúncio da Segunda Guerra Mundial, que seria iniciada um ano depois do certame. Fora das trincheiras, já com a Alemanha derrotada, os dois países se enfrentaram em 1954, na Copa da Suíça. Nas semifinais, a Alemanha Ocidental venceu a batalha em campo por 6 x 1, conquistando em seguida seu primeiro título contra a Hungria.

3. O Chile e a União Soviética deveriam jogar por uma vaga na Copade 1974 . A partida seria disputada no estádio Nacional do Chile, local que também era usado pela ditadura de Pinochet para torturar presos políticos. A equipe da União Soviética não compareceu e o time do Chile chutou a bola para dentro do gol vazio.

4. Em abril de 1982, 5.000 argentinos invadiram as Ilhas Malvinas – ou Falklands, como as chamavam os ingleses –,  no Atlântico Sul. O confronto durou 74 dias. Os ingleses reagiram e retomaram a posse das ilhas. Cerca de 800 soldados argentinos e 250 ingleses morreram em combate. Inimigos desde então, Argentina e Inglaterra se enfrentaram na Copa de 1986. Pelo menos no futebol, a Argentina provou que era superior: 2 x 1. Maradona fez dois dos gols mais famosos dos Mundiais – um com a mão e outro em que driblou metade do time adversário.

5. Honduras venceu a primeira partida das eliminatórias da Copa de 70 em casa por 1 x 0. No jogo de volta, El Salvador ganhou por 3 x 0. A tensão causada pelo jogo-desempate na Cidade do México ultrapassou as fronteiras do gramado e das arquibancas. El Salvador ficou com a vaga para o Mundial do México ao vencer por 3 x 2. Imigrantes salvadorenhos foram expulsos de Honduras e os países entraram em guerra. O confronto durou quatro dias de julho de 1969 e ganhou o nome de “Guerra do Futebol”. Houve cerca de 2 mil mortes. A OEA (Organização dos Estados Americanos) teve que intervir para resolver a questão. O tratado de paz definitivo só foi assinado uma década depois.

6. As Alemanhas ainda eram divididas pelo Muro de Berlim durante a Copa de 1974. As duas se enfrentaram na primeira fase do Mundial, em Hamburgo, no lado Ocidental. A Alemanha Oriental venceu por 1 x 0, mas foi desclassificada pelo Brasil nas quartas-de-final. A Alemanha Ocidental acabaria ganhando o título. O Muro de Berlim começou a ser derrubado do dia 9 para 10 de novembro de 1989. Em 28 anos, cerca de 800 berlinenses morreram tentando a travessia do muro que foi o símbolo da divisão da Europa em dois blocos no fim da Segunda Guerra Mundial.

7. Na Copa da França, realizada em 1998, uma das disputas mais esperadas foi entre Estados Unidos e Irã. Os países se desentenderam durante a guerra entre o Irã e o Iraque (1980-1988), quando os Estados Unidos tomaram partido do país de Saddam Hussein. Antes do jogo, os atletas das duas equipes posaram juntos para fotos e levaram flores brancas como símbolo da paz. Nas arquibancadas, porém, refugiados iranianos fizeram uma grande manifestação, que a TVs não mostraram.  No final, a vitória foi do Irã, mas as duas seleções se desclassificaram na primeira fase.

8. As Copas de 1942 e 1946 não foram realizadas por causa da Segunda Guerra Mundial.

9. Na Copa de 1982, o francês Giresse recebeu a bola na entrada da área, levou-a até a marca do pênalti e chutou, marcando o quarto gol da França contra o Kuwait, em partida pela fase de grupos. Das arquibancadas, um homem vestido com um turbante vermelho e uma túnica marrom mandou seu time sair de campo. Era o sheik Fahid Al-Ahmad Sabah, presidente da Associação de Futebol do Kuwait, que invadiu o gramado e fez o juiz anular o gol, alegando um suposto impedimento. E não é que ele conseguiu? Depois do incidente e da anulação do gol, o jogo continuou e o Kuwait sofreu mais um tento francês.

10. O presidente uruguaio José Mujica não se calou depois da suspensão imposta ao centroavante Luis Suárez, na Copa de 2014. Depois de ter recebido a seleção uruguaia no desembarque do Aeroporto de Carrasco, Mujica foi indagado pelo canal público de TV do Uruguai sobre a suspensão de Suárez, e respondeu: “Os da FIFA são um bando de velhos filhos da p#%@. Podiam tê-lo punido, mas não assim. Essas sanções são fascistas.”

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