Durante a Segunda Guerra Mundial, além de filmes e desenhos animados, histórias em quadrinhos recheadas de preconceito e racismo fizeram parte da propaganda bélica. Em 1940, por exemplo, surgiram os “super-heróis com tema patriótico”. O primeiro foi “The Shield” e, 14 meses depois, Capitão América, o mais famoso deles. Uma das estratégias era provocar medo nos americanos, sugerindo que Hitler poderia atacar a América.

Por isso, na capa do número 1 do Capitão América, o que se vê é um mapa e um pedaço de papel com os dizeres: “Planos de sabotagem para os EUA”. No segundo número, a revista traz um globo com a bandeira nazista cobrindo os Estados Unidos. Mais: depois do ataque japonês à base naval em Pearl Harbor, no Havaí, era preciso despertar o sentimento de vingança. Assim, o Capitão América irá dizer: “Vocês começaram. Agora, vamos acabar!”

 

Na Alemanha, os quadrinhos foram proibidos pelo Partido Nazista por serem considerados obscenos e uma “arte degenerada”, contaminados por influências judaicas. Isso não impediu que tiras satíricas fossem publicadas em jornais semanais, como o “Das Reich” (A Nação), antijudaico e muito influente. Os editoriais eram escritos por Joseph Goebbels, o Ministro da Propaganda. Também saíram no semanário “Das Schwarze Korps” (O Corpo Negro), jornal oficial da SS, uma das principais tropas do governo nazista e o único jornal sem censura na Alemanha.

 

Na França, o governo controlado pelos nazistas produziu a série de quadrinhos “Vica” como ferramenta de propaganda contra as Forças Aliadas. A revista zombava e criticava os ingleses, os americanos, os russos e as conspirações judaicas. “Vica no Paraíso da União Soviética” retrata “Madame Inglaterra” atormentando um urso que representa a Rússia ao injetar um vírus com Stalin e Lenin. Em “Vica contra o Serviço Secreto Inglês”, o personagem viaja para o Reino Unido e, depois de uma luta, humilha Winston Churchill, enquanto Tatave faz o mesmo com Joseph Stalin. Em “Vica desafia o Tio Sam”, os Estados Unidos invadem a África, matando e escravizando seus moradores. Por ciúme, a primeira-dama dos Estados Unidos, Eleanor Roosevelt, muda a Estátua da Liberdade e se coloca em seu lugar.

 

Em 1942, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos produziu um “Guia de Bolso para a China”, trazendo os quadrinhos “Como Identificar um Japa”.

 

Usando estereótipos racistas exagerados, Milton Caniff, consagrado quadrinista de “Terry e os Piratas”, ensinava para as tropas enviadas à China a diferença entre os chineses aliados e os japoneses inimigos. Dizia: o japonês tem dentes salientes, pele amarelo-limão, estrabismo acentuado, abertura grande entre os dos pés e, quando fala inglês, sibila a letra ‘S’ e não consegue pronunciar a letra ‘L, entre outras características imprecisas.