Frankenstein: ou O Prometeu Moderno”, da inglesa Mary Shelley, é considerado o primeiro romance de ficção científica da história. O monstro gerado pelo Dr. Frankenstein foi criado pela ciência, não pelo sobrenatural. O corpo morto é reanimado a partir de descargas elétricas. Mas Mary Shelley não foi a primeira mulher a escrever ficção científica. Ôps, como assim? Calma que vamos explicar!

Além de romancista, filósofa, poeta, cientista e dramaturga, Margareth Cavendish, a duquesa de Newcastle, também foi a primeira mulher admitida na Sociedade Real de Londres. Seu livro de 1666, “O Mundo Resplandecente”, é um poderoso relato feminista de uma realidade utópica alternativa. Seu mundo serviu de inspiração para Alan Moore nos quadrinhos “A Liga Extraordinária”.

Outro exemplo é Jane Webb (mais tarde Jane Loudon), autora de “A Múmia – Um Conto do Século 22”. A história fala de uma múmia do Antigo Egito, trazida de volta à vida por meio de métodos científicos. A obra de 1827 apresenta uma Londres do futuro, onde as mulheres usam calças, cirurgiões e advogados são autômatos movidos a vapor, e existe uma espécie de Internet.

Nesse período, a escrita feminina era marginalizada. Por isso, algumas autoras usavam pseudônimos masculinos. Gertrude Barrows Bennett, por exemplo, assinava como Francis Stevens. Ela foi a primeira grande escritora americana de ficção científica. Foi também considerada a criadora da “dark fantasy”, histórias que incorporam temas assustadores na fantasia. Entre outros autores, ela influenciou o horror cósmico de H.P. Lovecraft.

 

Há autoras também que foram deixadas em segundo plano. O caso mais clássico é da alemã Thea von Harbou. O filme “Metropolis” é todo creditado como uma criação de Fritz Lang, mas poucos falam que foi sua mulher, Thea von Harbou, quem escreveu o livro e o roteiro do filme.  Mais: ainda ajudou a produzi-lo. A banda inglesa Queen utilizou cenas do filme no videoclipe de “Radio Gaga”.

 

Essas precursoras do gênero são consideradas parte da Protoficção Científica, ou seja, narrativas que trabalham com uma temática e estrutura que só seria chamada de ficção científica nos anos 1920. São obras que trazem uma mistura de saber científico com utopia, sonho, fantasia e muita crítica social.