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10 curiosidades sobre “O Vigilante Rodoviário”

13 de agosto de 2020
  1. A série, criada pelo cineasta e roteirista Ary Fernandes (1931-2010), mostrava as aventuras de um policial que zelava pela segurança das estradas. Seus 38 episódios foram exibidos nas noites de quarta-feira, às 20h05, pela TV Tupi entre 1961 e 1962. Um deles se perdeu. Os outros 37 continuam sendo exibidos na TV.
  2. Para interpretar o personagem-título, o ator Carlos Miranda fez um estágio na Escola de Policiamento Rodoviário, em Jundiaí (SP).  Também teve aulas de luta na Escola de Educação Física da antiga Força Pública. Miranda disputou o papel com outros 127 candidatos.  Ao final da série, Carlos virou um policial rodoviário de verdade, a convite do Comandante Geral da Força Pública de São Paulo. Por causa disso, entrou para o “Guinness Book” (O Livro dos Recordes) como o único ator que virou o personagem. Em 1998, Carlos Miranda passou para a reserva como tenente-coronel.
  3. Aos 14 anos, Miranda ajudava a família trabalhando como cantor de circo. Também foi office-boy de uma produtora.

    Magalhães Júnior conta curiosidades de “O Vigilante Rodoviário” em “Quem Te Viu, Quem TV”, quadro do programa “Olá, Curiosos!”

  4. A maior parte das cenas de ação foi feita na Rodovia Anhanguera. Ary Fernandes tinha uma predileção pela luz do sol no quilômetro 38.
  5. O fiel escudeiro do Vigilante era o cão Lobo. Na vida real, o animal se chamava King e já era famoso – havia estrelado a propaganda dos móveis de aço Fiel. Ele pertencia a um soldado da Força Pública chamado Luiz Afonso. Lobo morreu em 1965. Ary Fernandes mudou o nome para Lobo numa alusão ao lobo-guará, animal brasileiro.
  6. O carro preto e amarelo dirigido pelo policial era da marca Simca Chambord, do ano de 1959. Foi criado especialmente para a série, não era da corporação. Depois que a série terminou, ele foi desmanchado. Miranda passou dez anos procurando as peças, e o reconstruiu em 1998. Já a moto Harley-Davidson 1951 está exposta no Museu Eduardo André Matarazzo, em Bebedouro (SP). Conta-se que, certa vez, Lobo estava perto da moto e teve seu rabo levemente queimado quando um contra-regra deu inadvertidamente a partida. A partir disso, ele não quis mais subir na moto. As cenas com o animal passaram a ser feitas apenas no carro.
  7. Em 1961, a TV Tupi apresentava às quartas-feiras uma série chamada “O Menino do Circo”. Em 17 de dezembro, aconteceu o terrível incêndio do Gran Circo Norte-Americano, em Niterói (RJ). A emissora e a Nestlé, patrocinadora do horário, resolveram tirar o enlatado do ar. Por isso resolveram antecipar a estreia da produção nacional. O nome da série deveria ser “O Patrulheiro”. Só que, aos sábados, a mesma Tupi apresentava uma outra série patrocinada pela marca de achocolatado Toddy. Seu nome era “Patrulheiros do Oeste”, mas ela ficou conhecida pelo público como “Patrulheiros Toddy”. A nova série brasileira teve que mudar de nome, para evitar confusão com o patrocinador. Aí é que ela virou “O Vigilante Rodoviário”. Nos primeiros episódios, Carlos Miranda ainda era chamado de “patrulheiro”. Houve uma avant-première improvisada em 20 de dezembro só com algumas cenas de capítulos já gravados. A estreia oficial aconteceu em 3 de janeiro de 1962.

     

  8. A série foi transformada em dois longa-metragens, para poder ser exibida nos cinemas, já que 70% da população brasileira da época não tinha televisores em casa. No total, foram produzidos quatro longa-metragens para o cinema: “O Vigilante Rodoviário”; “O Vigilante Contra o Crime”; “O Vigilante e os Cinco Valentes”; e “O Vigilante em Missão Secreta”.  Como a produção tinha um baixo orçamento, foram chamados atores iniciantes. Fúlvio Stefanini, Ary Fontoura, Stênio Garcia, Rosamaria Murtinho e Juca Chaves eram alguns nomes que integraram o elenco.
  9. O sucesso de “O Vigilante Rodovário” não ficou restrito à televisão. As aventuras foram parar numa revistinha publicada pela editora Outubro, de Jayme Cortez e Miguel Penteado.

  10. A música-tema do seriado, composta pelo próprio Ary Fernandes, foi gravada pelo grupo Titulares do Ritmo:“De noite ou de dia,
    firme no volante,
    vai pela rodovia
    Bravo Vigilante.
    Guardando toda a estrada,
    forte e confiante,
    é o nosso camarada
    Bravo Vigilante.
    O olhar amigo,
    é um farol que avisa o perigo.
    Audaz e temerário,
    pra agir a cada instante.
    Da estrada é o Vigilante… Vigilante… Rodoviário”.

Leia também: Projeto do “Memorial do Vigilante Rodoviário” ainda não saiu do lugar

Ouça a versão do tema do Vigilante Rodoviário, com a banda Bek e os Tio de Fusca, especial para o “Olá, Curiosos!”:

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3 Comentários

3 Comentários

  1. Antonio

    Sempre na lembrança, jamais esquecido por quem viveu uma época que educação, moral e ser o mocinho do filme formou uma geração sadia.
    Eu com meus 65 e minha esposa com 62 matamos nossa saudade assistindo este seriado que graças à Deus continua sendo exibido. Nossos agradecimentos ao “inspetor Carlos e ao cão Lobo” por terem feito parte das nossas vidas!

    Responder
  2. Paulo A. Neves

    Bom…seriados em que forças policiais combatem grupos criminosos existem até os nossos dias..o registro é que a industria cinematográfica brasileira nunca recebeu a atenção que merecia tanto de investidores quanto das autoridades voltadas para a cultura.

    Responder
  3. Reinaldo GIMENES

    Assistir aos episódios do Vigilante Rodoviário era rotina obrigatória e ansiosamente aguardada na minha infância. É óbvio que eu sempre me imaginava na situação do Vigilante, surpreendendo os malfeitores… Há alguns anos comprei uma série de DVD´s com a série completa – adivinhem se não me ponho a ver até hoje?

    Responder

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