De um lado da rua Baker Street, avista-se a residência fictícia de Sherlock Holmes (o detetive mais famoso do mundo, que encontra até agulha no palheiro). Do outro, escondido debaixo da terra, funciona o departamento de achados e perdidos do metrô de Londres.

 

METRÔ DE LONDRES

Todos os dias, mais de mil londrinos esquecem algo nas dependências do metrô. Desde 1933, esses itens vão para um espaço no subsolo da estação Baker Street, que concentra cerca de 200 mil objetos. Lá, trabalham 40 funcionários em tempo integral, que atendem os cerca de 300 usuários diários que aparecem em busca de seus pertences.

ESTAÇÃO DO METRÔ DE LONDRES
Os objetos mais esquecidos pelos usuários do metrô são os celulares. Mas a lista é bem variada: há bolsas, tênis, óculos, malas, caixas, maquiagem, joias, brinquedos, peças de roupa, documentos, carteiras, iPods, dentaduras, guarda-chuvas, livros, revistas, chaveiros, instrumentos musicais e até uma espada de samurai.

No dia seguinte ao lançamento do iPad 2, os achados e perdidos do metrô já tinham dois exemplares do tablet em seu estoque. Muito dinheiro também costuma ser encontrado pelos trens. Todos os dias, os usuários entregam dezenas de moedas aos funcionários do departamento. Uma maleta com 10 mil libras foi devolvida intacta ao seu dono. Outro item bizarro – já resgatado – foi um par de implantes de seios de silicone esquecidos por uma mulher a caminho de uma clínica de estética. Uma moça distraída deixou para trás o próprio vestido de noiva. E não é à toa que a seção que abriga muletas e cadeiras de roda exiba a placa satírica “Nós também fazemos milagres”.

Há ainda situações que fazem dos funcionários do metrô verdadeiros Sherlocks Holmes. Em 2007, um usuário foi ao departamento procurar seis manequins de loja perdidos. É que ele foi colocando um manequim por vez no vagão do trem e, antes de conseguir entrar, a porta se fechou. O trem foi embora com os manequins e ele ficou para fora. Os objetos não estavam no depósito e uma investigação foi aberta. Os manequins não foram encontrados e, três meses depois, o caso foi arquivado.

O metrô de São Paulo também oferece o mesmo serviço, desde 1974. Cada um dos cerca de 40 mil objetos perdidos no ano fica por dois dias na estação onde foi encontrado. Depois disso, os itens vão para um dos dois depósitos (na estação Sé ou na estação Largo Treze), onde permanecem por até três meses. Lá, são cadastrados em um banco de dados e guardados em gavetas, organizadas por tipo de objeto e mês em que foram encontrados. Os objetos mais procurados no metrô de São Paulo são os celulares: 70% voltam aos donos. Se o dono não aparece, os itens são dados para a caridade. Guarda-chuvas, por exemplo, não têm muita procura: apenas 18% são devolvidos.

Achados e Perdidos Metrô SP: Como recuperar objetos esquecidos

As estações onde os paulistanos são mais esquecidos são a Sé, Corinthians-Itaquera e Palmeiras-Barra Funda. Já em Londres, a maioria dos objetos deixados para trás fica na estação Picadilly Circus.

Bastidores dos achados e perdidos e outras histórias do metrô de Londres são contadas na série The Underground, em cartaz no canal BBC HD, toda 4a-feira às 20h, até o fim de agosto.