Nos últimos anos, a torcida do Palmeiras ajudou a divulgar a história dos irmãos Piccolo, da pequena cidade de Santa Cruz das Palmeiras, interior de São Paulo. Eles vendiam uma cachaça chamada “Palmeiras 1951”. Segundo a narrativa, eles teriam dado o nome do produto em homenagem ao time do Palmeiras e ao título da Taça Rio de 1951.

Já a Companhia Muller de Bebidas, dona da marca, tratou de registrar em sua embalagem uma outra versão. Está escrito aqui: “reza a lenda que, no início, as cachaças das melhores safras eram armazenadas no barril número 51”.

Tudo indica que não foi nem uma coisa nem outra. Naquela época, era comum as aguardentes usarem o nome da cidade e um número. Pirassununga, famosa por sua cachaça, tinha uma série de marcas com números aleatórios: 1, 5, 17, 21, 29, 31, 109, 419… e 51. 

Sim, já existia uma Pirassununga 51, que era envasada pela empresa Tabôas & Cia.  A marca mudou de donos algumas vezes até chegar às mãos da Müller, Franco & Cia. em 1959. Foi daí que veio a 51 que conhecemos hoje.

Os pesquisadores acreditam que a Palmeiras 1951 fazia uma referência à cidade, e não ao time, embora usasse o mesmo tipo de P do Palmeiras. Ela foi criada em 1952 e o mais provável é que tenha usado o 51 para pegar carona no nome da cachaça de sucesso da cidade vizinha.

E não há nenhuma evidência de que a Müller tenha comprado essa marca. E por que, lá atrás, a Tabôas escolheu o número 51 para o nome de sua cachaça? Porque 51 era o número do telefone da pequena empresa de Pirassununga.

“Uma boa ideia”
O famoso slogan da Caninha 51 foi criado em 1978 pela publicitária e artista plástica Magy Imoberdorf.