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Peter Freuchen: como uma faca feita de fezes congeladas salvou a vida do explorador

6 de dezembro de 2021

O dinamarquês Lorenz Peter Elfred Freuchen, ou apenas Peter Freuchen (1886-1957), foi jornalista, antropólogo, escritor e, principalmente, explorador. O que fazia um explorador? Na virada do século XIX para o XX, havia uma corrida pelo que se chamava “a conquista dos pólos”, algo como “as últimas fronteiras”, e o seu entorno. O povo nórdico, já acostumado com o frio, estava na linha de frente dessas expedições, que atravessavam os Pólos Norte e Sul, a Groenlândia e o Alasca – cobertos de peles, e não com blusão de náilon; e sem moto de gelo, mas com trenós puxados por cães.

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Freuchen acompanhou o lendário aventureiro Knud Rasmussen nas chamadas Expedições Thule. A série de sete expedições, entre 1912 e 1933, percorreu praticamente toda a Groenlândia, ajudando a desenhar os mapas reais de seu território. Entre essas expedições, Freuchen viveu durante muitos anos com os inuit – os indígenas do Círculo Polar Ártico, chamados erradamente de esquimós. Aliás, a primeira mulher dele era inuit. Ela o acompanhou em muitas viagens e morreu de gripe espanhola em 1921. Tiveram um casal de filhos e um dos netos foi o primeiro deputado inuit eleito no Canadá. Freuchen se casaria ainda outras duas vezes.

Quais foram as principais aventuras de Peter Freuchen? Ele perdeu uma perna, por causa de um congelamento. E, em outra ocasião, percebendo que uma nevasca terrível se aproximava, virou seu trenó de cabeça para baixo e criou uma proteção para si, quase uma cabana – só que, depois, ele não conseguia sair de lá. Freuchen não tinha como despedaçar o gelo, estava sem ferramentas. Era morrer de inanição ou de hipotermia. O que ele fez? Pegou suas fezes e moldou-as em formato pontiagudo, esperou até estarem absolutamente congeladas, As fezes ficaram a textura de pedras e, como uma talhadeira, ele conseguiu se libertar para contar a história!

Percorreu muitos países – um de seus muitos livros foi batizado de “Viking Nômade”. Participou de documentários para o cinema, ficou claramente contra o nazismo durante a Segunda Guerra – sempre que alguém falava mal ou maltratava um judeu ele, que era enorme, se dizia judeu. Também; participou da resistência dinamarquesa contra a ocupação nazista; foi preso e condenado à morte, mas escapou. Participou de um programa na TV norte-americana chamado “A pergunta de 64.000 dólares”, respondendo sobre o tema “os sete mares”. Faturou o prêmio.

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