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Eiichi Matsumoto: fotógrafo japonês documentou os horrores das bombas atômicas

7 de agosto de 2020
Uma das mais sensíveis fotos da devastação das bombas atômicas americanas no Japão na Segunda Guerra Mundial  foi feita por Eiichi Matsumoto, Mostra um relógio de parede, que parou no exato momento em a bomba destruiu Hiroshima: 8 horas e 20 minutos da manhã de 6 de agosto de 1945. A imagem foi uma das fotos selecionadas para o livro “Flash of Light, Wall of Fire”, que acaba de ser lançado pela Editora da Universidade do Texas, dos Estados Unidos, 75 anos depois das tragédias.

Matsumoto tinha 30 anos e era repórter fotográfico do jornal “Asahi Shimbum”, em Tóquio. Depois da rendição do Japão, ele foi enviado a Nagasaki e Hiroshima para documentar os horrores das duas bombas nucleares. As fotos seriam usadas numa edição especial do periódico. Ficou primeiro em Nagasaki, entre 25 de agosto e 15 de setembro. Depois fotografou Hiroshima de 18 a 25 de setembro.  Calcula-se que 200 mil pessoas tenham morrido nas duas cidades e a grande maioria das estruturas das construções tenha sido danificada ou destruída. “Peço sua permissão para tirar fotos de seus maiores sofrimentos”, repetia Matsumoto a cada sobrevivente que encontrava no Hospital da Cruz Vermelha, no centro de Hiroshima. “Tenho a missão de deixar as pessoas do mundo inteiro saberem, sem dizer uma palavra, que tipo de tragédia apocalíptica você passou”. Viu até famílias cremando os corpos de parentes em fogueiras públicas.

Os Estados Unidos impuseram a proibição, em ambos os países, de fotografias que mostrassem o sofrimento civil.  Dezenas de fotógrafos japoneses documentaram as tragédias de 6 e 9 de agosto, mas tiveram que esconder fotos e negativos até o final da ocupação americana, em 1952. O próprio Matsumoto guardou as suas num armário de casa. Só depois de 1952 é que essas fotos apareceram publicamente em livros, exposições e museus.

Matsumoto morreu em 2004, aos 89 anos. Deixou 157 de suas fotos dos horrores da guerra para o Museu Memorial da Paz de Hiroshima.

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