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Bella Ciao: a história e as lendas da canção da Resistência contra o fascismo

4 de junho de 2020

A canção “Bella Ciao” se popularizou novamente com o sucesso da série espanhola “La Casa de Papel” (2017).

A história mais difundida desta popular canção italiana é que ela surgiu como um canto de vitória das trabalhadoras das plantações de arroz no vale do Rio Pó, no norte da Itália, quando conseguiram oficializar a jornada de oito horas de trabalho, em 1906. Chamadas de “mondinas”, essas trabalhadoras removiam as ervas daninhas para permitir o crescimento saudável dos campos de arroz. A primeira letra (aqui traduzida para o português) fala mesmo das difíceis condições de trabalho nos arrozais:

“Adeus, adeus, adeus querida, esta manhã, eu me levantei
e encontrei um invasor!
Para trabalhar lá no arrozal, adeus querida, adeus querida
Adeus, adeus, adeus querida! Para trabalhar lá no arrozal
Sob o sol que nos derruba!
E entre os insetos e os mosquitos, adeus querida, adeus querida
Adeus, adeus, adeus querida, e entre os insetos e mosquitos,
Um trabalho pesado que tenho que fazer!”

Música foi adotada pelos partigiani depois da guerra

A versão foi desmentida por Cesare Bermani, uma das maiores autoridades de música da Itália. Ele afirma ter identificado traços de “Bella Ciao” em algumas canções populares do norte da Itália. Uma delas seria “Fior di Tomba”. Bermani também diz que “Bella Ciao” não foi um dos símbolos da Resistência italiana contra o fascismo de Benito Mussolini e dos nazistas na Segunda Guerra Mundial, como se costuma dizer. A Resistência usava a música “Fischia il Vento”. “Bella Ciao” era cantada em alguns poucos grupos da Resistência. Ela só teria sido adotada pelos partigiani (como foram chamados os heróis da Resistência) vinte anos depois do final da guerra. Mas foi a versão chamada partigiana que se espalhou pelo mundo graças à delegação italiana que participou do primeiro Festival Mundial da Juventude Democrática, realizado em Praga, em 1947. A letra (aqui em português) dizia:

Uma manhã, eu acordei
Bela, tchau! Bela, tchau! Bela, tchau, tchau, tchau!
Uma manhã, eu acordei
E encontrei um invasor
Oh, partigiano (membro da Resistência), leve-me embora
Bela, tchau! Bela, tchau! Bela, tchau! Bela, tchau, tchau, tchau!
Oh, membro da Resistência, leve-me embora
Porque sinto que vou morrer
E se eu morrer como partigiano,
Bela, tchau! Bela, tchau! Bela, tchau, tchau, tchau!
E se eu morrer como partigiano,
Você deve me enterrar
E me enterre no alto das montanhas
Bela, tchau! Bela, tchau! Bela, tchau, tchau, tchau!
E me enterre no alto das montanhas
Sob a sombra de uma bela flor
E todas as pessoas que passarem
Bela, tchau! Bela, tchau! Bela, tchau, tchau, tchau!
E todas as pessoas que passarem
Te dirão: Que bela flor!
E essa será a flor da Resistência
Daquele que morreu pela liberdade
E essa será a flor da Resistência
Daquele que morreu pela liberdade

Torcida brasileira fez paródia para zoar os argentinos

As primeiras gravações foram feitas pelos italianos Sandra Mantovani e Fausto Amodei (1963), pelo cantor francês de origem toscana Yves Montand (1964) e pela também italiana Giovanna Daffini (1965). A partir dos anos 1960, a canção se difundiu largamente nas manifestações operárias e estudantis, em lugares tão diferentes quanto Chile, Turquia, Paris, Curdistão e Hong Kong.

Com a redescoberta da música, “Bella Ciao” ganhou versões mais recentes, como no Japão, do grupo Tiki Tiki Bamboos, e no Brasil. com a banda The Kira Justice.

Virou até uma brincadeira da torcida brasileira com os argentinos na Copa do Mundo da Rússia, em 2018. A letra de “Messi Tchau” dizia:

O Di María, o Mascherano
O Messi tchau, Messi tchau, Messi tchau, tchau, tchau, tchau
E o argentino está chorando
Por que essa Copa eu vou ganhar

Ouça a versão de “Bella Ciao'” da banda Bek e Os Tiozão, especial para o “Olá, Curiosos!”

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