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As bandeiras e os bandeirantes

10 de julho de 2020

As bandeiras foram um movimento basicamente paulista, iniciado no século XVII. Os retratos costumam mostrar os bandeirantes como senhores nobres, bem-vestidos, com ar elegante. Não se engane. Em sua maioria, eles eram mestiços, pobres e quase maltrapilhos. O movimento dos bandeirantes pode ser dividido em três etapas:

  1. No começo, os bandeirantes capturaram índios para escravizá-los e vendê-los aos fazendeiros de cana-de-açúcar. Invadiam tribos e levavam os indígenas, acorrentados, até os locais de leilão.
  2. Quando o aprisionamento dos índios foi proibido, os bandeirantes mudaram de ramo. Passaram a procurar metais, desbravando o interior do país. O primeiro lugar onde se encontrou ouro em quantidade foi Cuiabá. Entre 1693 e 1705, os paulistas descobriram as principais jazidas de Minas Gerais.
  3. Os bandeirantes eram contratados para sufocar rebeliões de negros ou de índios. Perseguiam também escravos fugitivos. O Quilombo dos Palmares, por exemplo, foi destruído por um grupo de bandeirantes.

No percurso pelo interior, quando os mantimentos começavam a diminuir, os bandeirantes paravam e montavam acampamento. Ali plantavam para repor as provisões. Esses acampamentos davam origem a pequenos arraiais, que depois viravam municípios. Foi assim que os bandeirantes ajudaram a desbravar o país.

Amador Bueno (1610-1683)
Prendeu índios e encontrou ouro. Em 1638, Amador Bueno Ribeira era considerado um dos homens mais ricos de São Paulo. Exerceu os cargos de ouvidor da capitania, provedor, contador da Fazenda Real e juiz de órfãos.

Antônio Raposo Tavares (1598-1658)
Nasceu em Portugal e chegou ao Brasil em 1618. Aprisionou 10 mil índios para trabalhar em sua fazenda ou vendê-los como escravos aos fazendeiros de açúcar do Nordeste. Suas expedições cobriram grande parte da América do Sul. Percorreu 12 mil quilômetros, enfrentando chuvas, pântanos e doenças. Partindo de São Paulo, foi até onde hoje ficam Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Pará. Atravessou pela primeira vez a floresta amazônica.

Antônio Rodrigues de Arzão (século XVII)
Bandeirante paulista que foi apontado como responsável pela descoberta de ouro em Minas Gerais. Em 1693,  liderou uma bandeira que seguia a trilha de Fernão Dias. Encontrou ouro em um ribeirão de Minas Gerais, mas foi atacado por índios e fugiu. De volta a São Paulo, contou a notícia a Bartolomeu Bueno da Silva, que seguiu para o local.

Bartolomeu Bueno da Silva (século XVII)
Em 1682, ele foi o pioneiro na exploração dos sertões de Goiás. Estava acompanhado de seu filho, Bartolomeu Bueno, de apenas 12 anos. Voltaram carregados de ouro e de índios para as lavouras paulistas. Iniciou também a primeira fase de exploração de ouro em Minas Gerais, a chamada mineração aluvial.

Bartolomeu Bueno da Silva, “O moço” (1672-1740)
Filho de Anhanguera, estabeleceu-se em Sabará (MG) em 1701, onde foi considerado um dos líderes da Guerra dos Emboabas. Em 1722, se propôs a colonizar a região que havia feito a fama de seu pai. Com sua bandeira de 152 homens reduzida a 70, encontrou ouro no rio Vermelho e no ribeirão das Cabrinhas. Voltou a São Paulo para buscar ajuda. No ano de 1726, estabeleceu ali uma povoação, que seria durante muitos anos a capital do estado de Goiás. Pelo descobrimento das minas, ganhou sesmarias, que depois lhe foram retiradas. Morreu quase na miséria.

Domingos Jorge Velho (1614-1703)
Bandeirante paulista que partiu de Taubaté e chegou ao interior do Piauí. Na sua caçada aos índios do Nordeste, perseguiu e destruiu uma série de aldeias. No Rio Grande do Norte, lutou na Guerra dos Bárbaros (1687). Seu principal feito, no entanto, foi a destruição do Quilombo dos Palmares, em 1694. A morte do líder Zumbi foi atribuída a André Furtado de Mendonça, da tropa de Velho. Era considerado por todos um homem muito rude, que falava mal o português. Comunicava-se sempre em tupi-guarani.

Fernão Dias Pais (1608-1681)
Em uma de suas primeiras incursões pelo país, aprisionou 5 mil índios na região Sul para trabalhar nas lavouras de São Paulo. Em 1672, o bandeirante ganhou do governador-geral do Brasil, Afonso Furtado de Mendonça, uma carta que lhe dava o direito de chefiar uma expedição para descobrir esmeraldas e minas de ouro em Minas Gerais. A bandeira saiu dois anos depois. Fernão Dias ficou conhecido como o Caçador de Esmeraldas, embora não tenha achado nenhuma. Durante o percurso, sufocou uma revolta liderada pelo seu próprio filho, José Dias Pais. Fernão enforcou o filho. Depois de sete anos de viagem, contraiu uma doença e morreu longe de casa. Hoje, seus restos mortais estão guardados no Mosteiro de São Bento, em São Paulo.

Fernão Dias foi casado com Maria Garcia Betim, descendente de Tibiriçá pelo lado materno e de um irmão de Pedro Álvares Cabral pelo lado paterno.

Manuel Borba Gato (1628-1718)
Genro de Fernão Dias, Borba Gato fez parte de sua bandeira entre 1674 e 1681. Depois de ter sido acusado de assassinato, fugiu para a região do  rio Doce, em Sabará (MG). Ali descobriu ouro em Sabarabuçu e no rio das Velhas. Participou da Guerra dos Emboabas.

As descobertas de ouro e pedras preciosas no Brasil tornaram-se as mais importantes do Novo Mundo colonial. Calcula-se que, ao longo de cem anos, garimparam-se 2 milhões de quilos de ouro no país, e cerca de 2,4 milhões de quilates de diamante foram extraídos das rochas. Faltava gente para plantar e colher nas fazenda. Pelo menos 615 toneladas de ouro chegaram a Portugal até 1822. Não foi no Brasil ou em Portugal que toda essa fortuna foi reinvestida: ela passou para a Inglaterra, que vinha colhendo os frutos de sua Revolução Industrial.

Conteúdo extraído do livro “O Guia dos Curiosos-Brasil”

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