Quando o Brasil foi encontrado, em 1500, os historiadores calculam que existiam aqui entre 2 milhões e 4 milhões de indígenas, divididos em 1.400 tribos. Havia três grandes áreas de concentração: litoral, bacia do Paraguai e bacia Amazônica. Acredita-se que seus antepassados vieram da Ásia para o continente americano há 40 mil anos. Eles atravessaram o Estreito de Bering (que liga a Sibéria ao Alasca) no período das glaciações.

No início da colonização brasileira, muitos indígenas foram capturados e escravizados. Os colonos diziam que os “indígenas não eram gente, mas animais”. Quando os padres jesuítas chegaram ao Brasil, começaram a reverter esse quadro. Em 1537, a bula , editada pelo papa Paulo III, declarou que os indígenas eram “verdadeiros seres humanos”. Por isso, deveriam ter total liberdade, mesmo se não tivessem se convertido ao cristianismo. Apesar disso, os indígenas continuaram sendo perseguidos por muito tempo.
O processo de extinção indígena foi iniciado pelo litoral, quando os primeiros núcleos europeus ali se estabeleceram, com matanças e escravização. As doenças trazidas pelos brancos também era um problema. Os indígenas não resistiam ao sarampo, varíola e gripe. Entre 1562 e 1563, cerca de 60 mil indígenas morreram por causa de duas epidemias de “peste de bexiga” (tipo de varíola).
A partir da década de 1970, quando contava com 100 mil membros, a população indígena começou a crescer novamente, em uma média anual 10% acima do restante do Brasil. Em 1991, já havia 306.245 indígenas no país; em 1999, eram 350 mil, um crescimento de 250% nesses 30 anos.
O grão de guaraná lembra muito a figura de um olho humano. Isso deu margem a uma lenda espalhada pelos índios saterê-maué. A índia Unai teria tido um filho concebido por uma serpente e morto pelas flechadas de um macaco. No local em que ele foi enterrado, teriam nascido as primeiras plantas de guaraná. Todos os finais de novembro, os índios celebram esse acontecimento com a Festa do Guaraná, na cidade de Maués, a 270 quilômetros de Manaus.
Os Xerentes realizam um ritual para batizar suas crianças, chamado Uaké. Nele, a molecada participa de uma dança em círculo enquanto recebe seus nomes, que depois são anunciados de porta em porta. Outra festa da etnia é o Padi (cujo nome significa “tamanduá”). Dois homens adultos entram pela selva e lá ficam até confeccionarem uma roupa com palha de folhas de palmeiras que cubra todo seu corpo. De volta à aldeia, eles imitam um tamanduá, enquanto os companheiros dançam ao seu redor.
