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Quanto um partido como o PRTB, de Levy Fidelix, fatura num ano eleitoral?

15 de setembro de 2014

“Como o senhor responde a crítica que o PRTB seria uma típica legenda de aluguel, que vive do dinheiro do fundo partidário, de negociar alianças pelo seu escasso tempo de TV e de negociar candidaturas que fazem ataques terceirizados nas eleições?” A pergunta do jornalista Kennedy Alencar deixou o presidenciável Levy Fidelix de bigode em pé. Acostumado a sempre atacar, o candidato não esperava por aquele golpe desferido no debate entre os candidatos à presidência, promovido por SBT, UOL e Rádio Jovem Pan.  O representante do PRBT (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro) ficou furioso ao ouvir a pergunta, mas a indagação de Kennedy Alencar suscitou um novo debate. O que exatamente um partido tido como “nanico” busca em uma eleição presidencial?

Na última pesquisa eleitoral, realizada pelo Ibope em 12 de setembro, somente quatro dos 11 candidatos apareciam com pelo menos 1% de intenção de votos: Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Aécio Neves (PSDB) e Pastor Everaldo (PSC). Os outros setes candidatos não atingiram esta marca, porém receberam, juntos, R$11.658.803 por meio do Fundo Partidário, dinheiro extraído dos cofres da União para ser dividido entre todos partidos, uma manobra para trazer competitividade às eleições. Entre janeiro e agosto de 2014, o Fundo Partidário distribuiu R$108.032.826,03 aos 32 partidos atualmente existentes no Brasil. A quantia destinada às legendas, assim como questionado por Kennedy Alencar, é o chamariz para atrair candidaturas que certamente não resultarão em vitórias. Neste período, só como exemplo, o PRTB recebeu R$ 109.522,57 por mês, o que já deu um total de R$ 882.724,93 em 2014.

De 1986 até 2012, houve 14 eleições, no Brasil, para todos cargos políticos. O mineiro José Levy Fidelix da Cruz, 62 anos, participou de onze delas – dez como candidato titular, e uma como candidato a vice-prefeito de São Paulo, em 2000. Ele era vice de Fernando Collor, que teve a candidatura cassada. Como se sabe, o fundador e dono do PRTB perdeu todas eleições que disputou  – na maioria delas, ficou nas últimas colocações. Aliás, só a título de curiosidade, se somados todos os votos válidos das 10 candidaturas de Levy Fidelix, o político conseguiu 120.753 votos – em 2010, Tiririca foi eleito deputado federal com 1,3 milhão de votos, ou seja, Fidelix necessitaria de outras 90 eleições para chegar aos números do palhaço. Este ano novamente postula ao cargo de presidente, assim como fez em 2010. “Mesmo sem chances reais de governo, eu me candidato para cutucar os ‘partidos gigantes’, entrando em temas importantes e deixando novas ideias no ar”, afirma o presidenciável do PRTB, ex-colunista do jornal Última Hora e fundador da agência Staff Publicidade. Nos últimos seis anos, o partido presidido por Fidelix recebeu R$10.459.526 entre Fundo Partidário e doações privadas.


Para o cientista político Aldo Fornazieri, há três motivos para partidos pequenos se candidatarem: interesse financeiro, contemplar mais cargos políticos por meio de alianças e manter a legenda viva, caso de Hernani Fortuna, o candidato menos votado nas eleições presidenciais de 1994. “O PSC (Partido Social Cristão) necessitava de um candidato para o partido não morrer, e aí me chamaram”, conta o então almirante da Escola Superior de Guerra. O dinheiro, para Fornazieri, é o principal elemento de uma candidatura. “Partidos maiores financiam as siglas que não têm projeção para falar mal dos candidatos rivais”, garante. Mesmo sem vitória nas urnas, o patrimônio dos presidenciáveis cresce. Em 8 anos, o patrimônio de José Maria Eymael (PSDC), presidenciável em 1998, 2006, 2010 e 2014, aumentou 520%, enquanto o de Levy Fidelix teve um acréscimo de 602%. O dono do PRTB chegou a declarar em 1998 que um apartamento no bairro paulistano do Campo Belo valia R$300.000. Mas, em 2006, mudou o valor declarado do imóvel para R$80.074, o que, na opinião de Carlos Alberto Sardenberg, é dificílimo de acontecer. “Só se tivessem levantado duas favelas ao redor, mas não foi o caso”, discorreu o jornalista econômico sobre o apartamento atualmente avaliado em 1,2 milhão de reais.


Sobre as eternas candidaturas e os ganhos financeiros, os dois políticos se esquivam. “Busco a reinstituição da democracia cristã, mas nunca dinheiro”, afirma Eymael. “Não fazemos campanhas milionárias.” O PSDC, presidido pelo candidato, recebeu R$6.552.058 entre Fundo Partidário e doações, de 2008 a 2013. Levy Fidelix dá de ombros para os poucos votos e as 10 derrotas eleitorais. “Nunca perdi uma eleição. Vencer, para mim, é no campo das ideias”, vangloria-se. “Ridicularizavam-me com a ideia do aerotrem e do Rodoanel, mas depois fizeram”. Apesar da ascensão econômica, Fidelix nega que candidaturas resultam em dinheiro ao fim das eleições. “Não tem lucro, o político perde recursos e tempo nas campanhas, é muita falácia de quem não entende do ramo.” Levy está deixando um legado. Este ano, a filha Livia Fidelix é candidata a deputada estadual pelo partido do papai.

(com reportagem de Lucas Strabko)

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13 Comentários

13 Comentários

  1. Marcos

    Outro dia eu estava pensando sobre isso…
    Porque uma pessoa se candidata, mesmo sabendo que não vai ganhar?
    E porque as empresas doam dinheiro para esses candidatos, mesmo sabendo que o candidato não tem chances?
    E porque gastar tempo e dinheiro (do povo e doações) para ficar na lanterna?
    Agora, lendo o seu post, tudo ficou mais claro!
    Creio que, se fosse para tirar do proprio bolso, não haveria mais do que 3 ou 4 candidatos.

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  2. Carlos Rodolfo Pereira

    ser politico no brasil e a mesma coisa q ganhar loto vai encher o bouso . e o povo q se dane

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  3. ricardo santos

    Fora isso que ja foi dito, a melhor fonte de renda mesmo e venda das legendas nas cidades, para elas se juntarem a uma determinada coligacao

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  4. ROSANI

    SÓ ORANDO E MUITO, PELA REFORMA MORAL DESSA RAÇA HÍBRIDA.

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  5. jeffinho da biz

    Acredito que quando a pessoa se candidata para qualquer que seja o cargo acredita que tem uma chance para mudar algo! Sendo eleito ou não o importante é tentar e jogar seu ponto de vista pior seria ficar em casa e deixar de cumprir nossos compromissos como cidadão brasileiro

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  6. silvia

    eu creio que se essas informaçoẽs fossem mais acessiveis ficaria muito mais evidente as verdadeiras intençoẽs desse tipo de candidatura que só serve para maquear e confundir a opiniaõ publica dando ainda mais vizibilidade aos cadidatos de grandes partidos por que de certa forma elas contribuem como pano de fundo pro espetaculo ou devo chamar de circo de horror vergonha,vergonha,vergonha

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  7. regina

    Quem dera q essas info entrassem a cabeça dos cidadãos brasileiros para verem o quanto somos otários e inertes. Talvez porque a maioria só pensa em como estar tb no lugar deles. Triste …

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  8. Anônimo

    Acho que o Levi tinha que ser presidente do Brasil e um cara sério eu voto Antônia Lucia Gomes da Silva

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  9. Adilson dos Reis Vieira

    Boa tarde a todos. Lendo a resposta do Marcos, não posso deixa de responder.
    Marcos, todos tem o direito de sonhar, e lutar pelos seus ideais.
    Ninguém tem a certeza se irá ganhar ou não, mesmos os corruptos que compram votos, apresentam proposta ilusivas entre outras, mesmo eles não tem 100% de certeza.
    Quanto ao apoio financeiro de pessoa jurídica tem que ser coibida e fiscalizada, pois são troca de favores, que no final quem sofre é a população.
    Temos que mudar muitas coisas na politica, e eu creio em mudanças.

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  10. Anônimo

    O Sr. Levy Fidelix não tem nada de sério. Em 2001, comprei um carro que estava consignado em uma loja , o carro pertencia a ele. A loja disse que iria passar para o meu nome em 01 semana, e não havia restrições alguma quando comprei. Ele demorou 06 meses para passar para o meu nome e nesse período vieram multas de farol, IPVA ,de valor altissimo. Ele so passou para o meu nome porque eu disse que iria na Imprensa . Depois de certo tempo apareceu mais IPVA vencido com data anterior a venda, e ele disse para eu procurar meus direitos. Movi ação Processo 0057211-572001826002 Foro Santo Amaro. Ganhei a ação , e ele não me pagou até hoje. A advogada não encontrou nada no nome dele, e o processo foi arquivado. Que homem sério é este que não acata a JUSTIÇA ???

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  11. nomiro

    O problema é o formato de eleição lixo do brasil. O formato é lixo e vcs reclamam do cara que se candidata e que provavelmente nao vai ganhar ao inves de reclamar do formato da eleição?
    As eleicoes de presidente, prefeito e governador deveriam funcionar assim.
    PS:Essas regras se aplicam a todas as cidades independente da quantidade de habitantes ou area.
    1-Primeiro as pessoas votam em um candidato e 9 mais votados vão para o segundo turno
    1.1-Se a eleicao tiver menos de 10 candidatos, pode ir direto para o proximo passo.
    2-Os candidatos que sobraram, fazem debates, falam sobre sua campanha e etc…… durante um certo tempo, a data do segundo turno nao é proxima ao do primeiro turno.
    3-No segundo turno todo mundo vota em todos os candidatos dando uma nota entre 1 e 10. Você deve dar uma nota para todos os candidatos ou seu voto é descartado.
    4-O candidato com melhor media ganha e é eleito

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  12. mauricio

    sexo e politica é muito complicado mesmo.

    Responder

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  1. Herdeiras do aerotrem e do jingle "ey, ey, eymael" são candidatas a vereadoras - São Paulo para Curiosos - […] Leia também – Fundo partidário: para que servem os partidos nanicos? […]

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