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Como Shakespeare inspirou os criadores de “Star Trek”

29 de abril de 2021

Comemora-se em 23 de abril o Dia Mundial do Livro e dos Diretos Autorais. Ele foi escolhido pela Unesco em 1995 por ser a data de morte de dois grandes escritores da história: o inglês William Shakespeare e o espanhol Miguel de Cervantes. Passados mais de 450 anos, as obras de Shakespeare continuam atuais e inspiram múltiplas leituras. Gene Roddenbery, criador de “Star Trek” (Jornada nas Estrelas), e seus roteiristas continuam bebendo nas fontes shakespearianas. A concepção, títulos de episódios e muitas tramas são emprestadas de Shakespeare, explica o especialista Silvio Alexandre em “Universo Fantástico”.

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Uma das inspirações para a criação de “Star Trek”, foi o filme “Planeta Proibido”, uma versão futurista da peça “A Tempestade”, de Shakespeare. Na Série Clássica, o episódio “A Consciência do Rei” mostra uma trupe itinerante apresentando cenas de “Hamlet” e “Macbeth”. Em “Por Qualquer Outro Nome”, o capitão Kirk, segurando uma flor, diz: “Uma menção de um grande poeta humano Shakespeare: “Aquilo que nós chamamos rosa, com qualquer outro nome, exalaria o mesmo perfume”. Era uma alusão a “Romeu e Julieta”.

Em “O Dia das Bruxas”, além do discurso e aparência das três bruxas, o enredo empresta partes de “Macbeth”. Em “Castigo dos Deuses”, Marta, uma alienígena de Orion, recita o “Soneto 18”, de Shakespeare. Às vezes, as referências são visuais, como a insígnia na túnica do líder Claudius Marcus, no episódio “Pão e Circo”, da Serie Clássica. Trata-se do brasão de Shakespeare.

Em “O Desertor”, da Nova Geração, o Comandante Data ensaia com o Capitão Picard uma cena de “Henrique V”. Picard diz a ele: “Você está aqui para aprender sobre a condição humana e não há melhor maneira do que abraçar Shakespeare”. Em Deep Space Nine, no episódio “A Sorte está Lançada”, dois adversários cardassianos, refletem sobre algo que deu errado. Tain pergunta: “Como isso aconteceu?”. Garak responde com uma frase da peça “Júlio César”: “O erro, querido Tain, não está nas estrelas, mas em nós mesmos”.

No sexto filme de Star Trek, “A Terra Desconhecida”, Shakespeare é um dos alicerces da trama. O filme discute a mudança e como as pessoas reagem a ela.  O título é uma alusão a “Hamlet”, sobre a morte, mas no filme ela fala sobre o futuro. O chanceler klingon Gorkon diz: “Você não experimentou Shakespeare até que o tenha lido no original klingon”.

Existem centenas de ecos de Shakespeare em todo o universo de “Star Trek”. São temas universais que oferecem um reflexo da humanidade em seu sentido mais puro.

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