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Como Batman virou o responsável pela explosão do atual mercado nerd

24 de outubro de 2016

O escritor americano Glen Weldon está se especializando em biografias de super-heróis. Em 2013, ele lançou “Superman: Uma Biografia Não Autorizada”, que só agora chega aos leitores brasileiros, pelas mãos da Editora Leya. Enquanto isso, nos Estados Unidos, os fãs já se deliciam com “The Caped Crusade: Batman and the Rise of Nerd Culture” (“A Cruzada Encapuzada: Batman e a Ascensão da Cultura Nerd”). Weldon aborda o perfil e as mudanças do personagem ao longo dos anos e aponta a capacidade de transitar entre diferentes gerações como um dos fatores primordiais para o surgimento de uma grande – e rendosa – cultura nerd.  A capa do livro traz uma foto tirada em 2014, no dia em que 542 funcionários de uma empresa de Calgary, no Canadá, se vestiram de Batman para arrecadar fundos numa campanha de uma entidade assistencial – e acabaram entrando para o Guinness Book.

O morcego mascarado nasceu numa revista em quadrinhos de 1939. O escritor Bill Finger criou a trama para o personagem desenhado pelo artista Bob Kane. Kane se inspirou em histórias de vampiros, como a do Drácula, para compor o perfil de Bruce Wayne, a identidade secreta do Batman. Finger colocou os traços definitivos e em pouco tempo a HQ publicada pela DC Comics se transformou em um grande sucesso nos Estados Unidos.

A edição número 1 do quadrinho

Inicialmente, as histórias eram mais simples, sem muita violência, e logo foi criado um companheiro mais alegre para amenizar o aspecto “dark” do personagem: “Robin contribuiu para o ambiente mais descontraído. Tanto que depois começaram a insinuar que havia uma relação homossexual entre eles, o que é um absurdo do ponto de vista da história”, conta Jorge Ventura, especialista na trajetória do personagem. Em 2006, Ventura aproveitou os 40 anos da primeira aparição televisiva de Batman para publicar o livro “Sock! Pow! Crash! – 40 anos da série Batman na TV”, lançado pela Opera Graphica Editora. “Tinha uma monografia pronta sobre o universo do Batman e coincidentemente tinha essa data especial”, explica. Com a criação de Gotham City como cenário das tramas, ainda na década de 1940, o Batman ficou mais violento e escuro. Na era de ouro dos quadrinhos, o herói passou até mesmo a portar armas de fogo e, foi com esse perfil, que chegou às telas do cinema em 1943. A reviravolta ocorreu a partir da década seguinte, quando a Guerra Fria exerceu uma mudança nas artes norte-americanas, suavizando as histórias e abordando temas que não provocassem uma reflexão sobre o capitalismo dos americanos e o comunismo dos soviéticos. Ventura afirma que a década de 1960 é um marco para as transformações do Homem-Morcego: “Havia um ambiente psicodélico com muita coisa acontecendo. Movimentos sociais, feministas, negros, hippies, todo esse clima combinou para a criação de um ambiente alegre que foi muito bem trabalhado pela estética do humor espalhafatoso na série”. Acompanhando esse clima efervescente ao redor do mundo, a série alcançou uma projeção ainda maior, chegando à TV em janeiro de 1966. Foi o famoso Batman de Adam West.

A trajetória do Homem-Morcego/Foto: Blog do Alex

Para Jorge, o momento atual é de romper com essa linha e voltar ao perfil mais original criado para o personagem: “Hoje o mundo está cada vez mais caótico e violento e Batman acabou acompanhando isso”, acredita. “A estética do humor espalhafatoso seria ridicularizada porque muita gente não entenderia. Acredito que Batman deve ficar  cada vez mais humanizado e, ao mesmo tempo, mais violento, resgatando a época áurea da década de 1950 quando ele chegou até a usar arma”.

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1 Comentários

1 Comentário

  1. Hahnemann Leite Amaral

    Batman
    O meu personagem favorito,o número 1. Depois, é claro, o Homem Aranha.

    Responder

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