Cinco dias depois de ter acendido a pira na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o ex-maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, medalhista de bronze nos Jogos de Atenas, em 2004, declarou ao Manhã Bandeirantes, da Rádio Bandeirantes, de São Paulo, um desejo. Ele pediu aos organizadores para ficar em definitivo com a tocha usada para realizar o gesto visto por todo o mundo: “Eu gostaria – e isso representaria muito para minha carreira – de ficar com a tocha e eles se comprometeram a me dar. Só que, assim que terminou a cerimônia, me disseram que não poderiam porque teriam que acender outra pira, mas que eu poderia ficar certo de que ela seria minha. Estou esperando”, disse naquela entrevista.

Dois meses depois do fim das Olimpíadas, Vanderlei está consciente de que não será atendido. A tocha foi colocada no site oficial de leilões dos Jogos Olímpicos e foi arrematada por 216 050 reais – o maior valor entre os 15 mil itens leiloados. Para garantir sua autenticidade, Vanderlei autografou a tocha. O atleta, entretanto, evita reclamar: “Aquilo aumentou ainda mais o meu reconhecimento, enobreceu ainda mais a minha vida e a minha carreira. É muito gratificante quando as pessoas enaltecem a minha participação e se sentem reconhecidas naquele momento. Esse foi o grande prêmio”.

Vanderlei Cordeiro de Lima
Se pudesse fazer outro pedido, ele apenas teria um destino certo para o dinheiro obtido com o leilão: “Eu acho que o mais importante é que seja revertido em uma causa nobre. No meu ponto de vista, eu estou fazendo a minha parte e é isso que importa”, declarou em nova entrevista ao Manhã Bandeirantes hoje de manhã. Abaixo, estão alguns trechos da conversa de Vanderlei comigo e com Thays Freitas.

Você ficou frustado em não ter ficado com a tocha?
Na verdade, a tocha foi concedida ao Comitê Organizador e acabou sendo leiloada. Então, não fiquei com ela. Mas valeu a pena o momento que eu vivi lá e aquilo ali ficará guardado como uma grande lembrança.

A tocha foi leiloada pelo Comitê Organizador dos Jogos. Será que alguém pensou em comprá-la para dar de presente a você?
Que eu saiba, não (risos).

Na entrevista anterior, você nos contou que os organizadores prometeram entregar a tocha logo depois que a segunda tocha, na Candelária, fosse acesa. Quando mudaram de ideia, alguém lhe deu uma explicação?
Até então eu não tinha conhecimento da finalidade. Claro que não cabe a mim decidir, mas era uma esperança. Tomara que a renda desse leilão seja revertida para uma boa causa. O importante é isso. Eu fui agraciado em outro momento, com outra tocha, que é a do revezamento. Essa está muito bem guardada. Claro que nada se compara a que acendeu a pira. Mas a emoção do momento vivido por mim é que está na minha mente. Isso ficará marcado não só para mim, mas para o Brasil e para o esporte brasileiro.

Mas, pelo menos, o uniforme que você usou na cerimônia de abertura ficou com você, né?
Ah, os caras não podiam me deixar pelado porque aí iria complicar (risos). Não conseguiram tirar de mim e está guardado aqui, sim. É um grande prêmio para mim também. Aproveitei o momento de grande satisfação e de alegria. Foi a maior conquista e vitória da minha carreira.

Você falou em uma boa causa, mas o Comitê Organizador está usando o dinheiro do leilão para pagar as dívidas que ficaram dos Jogos… Você esperava que fosse para alguma entidade assistencial?
É importante enaltecer todo o trabalho que foi feito. Espero que o dinheiro seja revertido para uma nobre causa. Não importa se foi para pagar dívidas ou para outra finalidade. Do meu ponto de vista, estou fazendo a minha parte.