Se hoje a Viúva Negra é um ícone feminista, com filme próprio e destaque no universo cinematográfico da Marvel, ela deve muito às fascinantes heroínas que vieram antes dela.

A primeira heroína com superpoderes nos quadrinhos – Fantomah, A Mulher Misteriosa da Selva – apareceu em fevereiro de 1940, conta o especialista Sílvio Alexandre. Ela não usava fantasia, mas seu rosto se transformava em uma caveira azul para lutar contra as forças do mal.

viúva negra

A primeira heroína mascarada foi A Mulher de Vermelho, lançada em março de 1940. Ela era o alter ego da policial Peggy Allan, cansada de criminosos que manipulavam o sistema legal. Usava máscara e roupa vermelha para resolver seus casos. Em abril de 1941, Miss Fury foi a primeira super-heroína escrita e desenhada por uma mulher, Tarpé Mills (1912-1988). Ao vestir uma manta mística de pantera negra, a jovem socialite Marla Drake adquire força e habilidades acrobáticas. Algumas das histórias se passam no Brasil . Maria Drake era a líder dos guerrilheiros brasileiros e argentinos a proteger o Brasil dos nazistas.

Antes de a Mulher-Maravilha chegar, em outubro de 1941, o mundo dos quadrinhos teve dezenas de outras super-heroínas, como Amazona; Scarlet O’Neil; Lady Luck; Marga; Black Cat; Phantom Lady. Infelizmente, a maioria dessas heroínas foi esquecida no tempo e na mudança do cenário político da metade dos anos 1950, durante o qual as mulheres que ganharam destaque na força de trabalho durante a Segunda Guerra Mundial voltaram à vida como donas de casa para seus maridos.

Essa grande mudança aconteceu em 1954, quando o psiquiatra Fredric Wertham (1895-1981) lançou o livro “A Sedução dos Inocentes” e depôs no Senado americano sobre delinquência juvenil. O resultado foi a criação do código de censura dos quadrinhos, com regras rigorosas sobre religião, sexo, casamento e costumes. Foi imposto, entre outras coisas, um código de vestimenta para as mulheres que deveriam ser retratadas de forma realista, sem exagero dos atributos físicos.

No Brasil, influenciado pelos americanos, também foi elaborado um código de ética, pelas quatro principais editoras brasileiras: O Cruzeiro, EBAL, RGE e Editora Abril. Hoje em dia, a indústria de quadrinhos mudou radicalmente as super-heroínas. A Viúva Negra está aí para provar.