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Plastar: público de 100 mil torcedores para um time de futebol de várzea no Maracanã

10 de dezembro de 2021

Um time de futebol de várzea que jogou diante de 100 mil pessoas no gramado do Maracanã? Essa história me foi contada pelo pesquisador João Clementino da Cruz Neto Ferreira.

Na década de 1960, o futebol varzeano do bairro de Santo Amaro, em São Paulo, era fortíssimo. O time mais conhecido era o alviceleste Minister Clube, fundado em 1964 e campeão da Quarta Divisão paulista em 1967. Um ano antes do surgimento do Minister Clube, um outro time santamarense conseguiu uma proeza jamais igualada: o Plastar Futebol Clube, que levava o nome da Plastar Comércio e Indústria de Materiais e Produtos Plásticos, localizada na Rua Manoel Preto, 1401 (atual Avenida Rio Bonito), próximo ao Autódromo de Interlagos.

O coordenador de esportes do Plastar era José Lázaro Robles, o Pinga (1924-1996), ídolo da Portuguesa (maior artilheiro da história da Lusa, com 235 gols) e do Vasco. Pela Seleção Brasileira, Pinga disputou a Copa de 1954, na Suíça, e marcou dois gols na estreia contra o México. Graças a seu prestígio na antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos), Pinga conversou com seus contatos e acertou que o Plastar jogaria na preliminar de Santos x Milan, da Itália, em 14 de novembro de 1963, segundo jogo da disputa do título intercontinental.

Troca de flâmulas no vestiário do Maracanã

Há poucos registros da presença do Plastar no Rio de Janeiro. Não se sabe nem mesmo os nomes de todos os integrantes da delegação, que chegou a fazer uma visita ao Corcovado na véspera da partida.

Delegação do Plastar visita o Corcovado

O Plastar enfrentou a Seleção de Paquetá, do Rio, e venceu por 2 x 1. É tudo que ficou para a história. O curioso é que o Plastar jogou todo de branco naquela noite, como o Santos, e a Seleção de Paquetá tinha o uniforme que lembrava o do Milan. Na partida principal, o Santos devolveria o 4 x 2 da primeira partida e adiaria a decisão para o dia 16 de novembro, quando voltou a vencer, por 1 x 0, no mesmo Maracanã, e faturou seu segundo título mundial.

Único registro da partida: Plastar 2 x Seleção de Paquetá 1

“O público oficial no Maracanã naquela noite foi de 132.728 pagantes e considerando-se que já no início do segundo tempo da preliminar a lotação  era praticamente total, dá para afirmar que o Plastar de Santo Amaro jogou para mais de 100 mil pessoas”, afirma José Neto.

Pose do Plastar antes da partida: Marin é o terceiro agachada da esquerda para a direita

Daquela equipe do Plastar, dois nomes ficaram mais conhecidos. Nelson Batista, o Socó, chegou a jogar profissionalmente no Comercial da capital paulista por pouquíssimo tempo. Ele preferiu ganhar a vida e criar os três filhos trabalhando como contador. O outro foi José Maria Marin, nascido em Santo Amaro, bairro que se tornaria também seu curral eleitoral. Marin já tinha passado pelo São Paulo entre 1950 e 1952, mas não vingou. O técnico Vicente Feola chegou a recomendar que ele deveria ir estudar. Segundo o “Almanaque do São Paulo”, de Alexandre da Costa, fez 20 jogos pelo Tricolor e marcou cinco gols. O Plastar foi o último time que defendeu. No mesmo ano de 1963, ele se elegeu vereador em São Paulo pelo PRP (Partido da Representação Popular), liderado pelo integralista Plínio Salgado. Marin foi o último governador de São Paulo do regime militar, e presidente da Federação Paulista de Futebol e da CBF. Ficou preso entre 2015 e 2020, na Suíça e nos Estados Unidos, pelos crimes de fraude, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Foi colocado em liberdade em março de 2020 por “razões humanitárias”.

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