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De volta à China, o ex-corintiano Zizao jogou apenas 3 jogos como titular e marcou 4 gols

3 de fevereiro de 2015

O chinês Chen Zhizhao ainda não esqueceu o Brasil. Foram 669 dias do chinês – que teve seu nome simplificado para Zizao – no Corinthians, 269 minutos em campo, dois cartões amarelos e uma assistência. A torcida chegou a fazer uma campanha pela escalação do jogador (#jogazizao). Teve até vídeo que viralizou no YouTube:  uma paródia da propaganda da Caixa,  que rendeu cerca de 3,5 milhões visualizações no canal oficial do Corinthians. Zizao ficou amigo de Pato, Emerson Sheik e Paulo André – o único que mantém contato com ele até hoje. Relacionado para dez jogos, atuou em três como titular e entrou no decorrer da partida em duas oportunidades. Sua despedida oficial foi contra o Náutico, em 7 de dezembro de 2013, jogo que não valia mais nada. Saiu do banco para atuar apenas 15 minutos. Os últimos dribles e chutes foram dados longe dos holofotes. Com amigos da comunidade asiática, ele alugava uma pequena quadra de futebol soçaite no bairro de Vila Clementino e, em 12 de dezembro, despediu-se dos colegas. “Ele estava bem chateado, não queria ir embora de jeito nenhum”, conta o amigo e ex-vizinho Elias Chang. Em 2015, Zizao jogará novamente com a camisa verde do Beijing Guoan. Quarta passada, concentrado para uma partida amistosa de pré-temporada contra o Real Madrid Castilla, a equipe B do time espanhol, Zizao conversou com o Blog do Curioso e contou sobre sua atual vida na China.

Zizao desembarcou em São Paulo como uma incógnita. Na China, a transferência passou em branco. “Não falavam quase nada dele no Brasil, pois ele tinha saído de um time pequeno”, conta Eleílson Moura, zagueiro brasileiro que atua desde 2009 no clube chinês Jiangsu Sainty. Em março de 2013, Zizao foi apresentado no Parque São Jorge como uma “jogada de marketing” para divulgar a imagem do Corinthians na Ásia. O retorno não foi o esperado. No começo, Zizao teve dificuldades com o português, mas hoje considera o entendimento da língua como seu grande aprendizado no Brasil – além de ter melhorado as “pedaladas”, como diz. Inclusive seu melhor lance no país contou com essa especialidade: pedalou na lateral da grande área e tocou para Giovanni abrir o placar no empate por 1×1 contra o Paulista, de Jundiaí (SP), em partida do Paulistão 2013.

A estadia de Zizao no Brasil acabou em dezembro de 2013, ao fim de seu contrato de empréstimo para o Corinthians. Voltou ao Shanghai Shenxin e depois foi repassado ao Beijing Guoan, clube que defendeu no “Chinesão 2014” – ficou 18 jogos no banco de reservas, foi titular em três e marcou quatro gols.  Apesar de sonhar com uma nova convocação para a seleção chinesa – a única foi em março de 2013 numa partida contra o Iraque – sabe que, por enquanto, não está próximo da lista do treinador francês Alain Perrin. No retorno ao país natal, Zizao estranhou a temperatura, que beira o zero grau no inverno, e o futebol menos competitivo. “Em São Paulo, não faz muito calor, mas o ar é limpo, e o tempo é melhor que na China”, conta.

Zizao em sua apresentação no Beijing Guoan

Zizao em sua apresentação no Beijing Guoan

No país asiático, a temperatura é baixa também nas arquibancadas. Zizao sente falta dos gritos de torcida e das comemorações. “Futebol no Brasil é uma coisa muito importante, ao contrário da China”, diz. Quando informado pela reportagem que Ricardo Goulart e Diego Tardelli foram transferidos para clubes chineses, Zizao ficou surpreso. “Em qual time? Eles vão vir este ano?”, perguntou. “Eu sabia que chegaram uns brasileiros, mas não fazia ideia de quem eram.” Por enquanto, a única maneira de Zizao treinar seu português é pelo WhatsApp com amigos, já que não há brasileiros em sua equipe. O chinês afirma gostar de jogar contra os brazucas, o que as estatísticas não desmentem. Os quatro gols marcados por ele em 2014 foram contra equipes que possuíam, ao menos, um brasileiro. Inclusive na vitória por 3×0 contra o Shanghai Senhua, do zagueiro Paulo André, quando Zizao marcou um gol e tirou o calção. “No jogo anterior, fiz gol, tirei a camisa e levei amarelo”, conta o ex-“colintiano”. “Então, antes do jogo, decidi que tiraria o calção se marcasse”. Confira a partir de 2min12:

Da temporada no Brasil, Zizao sente muita saudade de comer açaí e churrasco. “Não consigo achar açaí aqui para comer”, reclama o chinês. “Churrasco na China é parecido com o do Brasil, mas a carne do Brasil é melhor.” Além da comida, um retorno ao Brasil poderia render um reaproximação com a ex-namorada Gui Lin, chinesa radicada no Brasil e mesatenista do rival Palmeiras. Eles terminaram por causa da longa distância entre Brasil e China. “Eu não queria atrapalhar a carreira dele, somos novos ainda, cada um precisa dar prioridade para o seu futuro”, explica Lin. Além da ex-namorada, o chinês diz sentir falta dos amigos brasileiros, apesar de manter contato com alguns deles, caso do ex-vizinho Elias Chang. “Ele era simpático e engraçado”, diz Chang. “Adorava ir aos karaokês do bairro da Liberdade para cantar músicas chinesas”.
(Se for utilizar informações publicadas nesta reportagem, não esqueça dos créditos e do link deste blog)

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3 Comentários

3 Comentários

  1. Aparecido B.S.Pinto

    O que custava o Tite dar ele ao menos 20 minutos finais quando o Corinthians estivesse vencendo.Pisou na bola Sr.Tite.

    Responder
  2. IGOR HENRIQUE

    ELE TINHA Q IR PARA O BOTAFOGO – RJ , EU ADIMIRO MUITO O FUTEBOL DELE.

    Responder
  3. Tony Cavalccanti

    Faltou mais oportunidades para o Zhizao aqui no Timão. Trouxeram o cara para fazer marketing e o resultado foi positivo, em 2016. O Corinthians é um verdadeiro negócio da China.

    Responder

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