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O que se falou sobre sexo na Rio-2016

23 de agosto de 2016

A passagem do corredor jamaicano Usain Bolt pelo Rio de Janeiro, em sua última participação nos Jogos Olímpicos, também causou alvoroço fora das pistas. Em 2008, a notícia de que ele ficou três horas no quarto com o time feminino de handebol da Suécia correu o mundo. Desta vez tudo começou com um vídeo do corredor acompanhado por uma mulher em uma festa na noite carioca. Depois, foram divulgadas fotos dele com outra brasileira, já em um quarto. Jady Duarte, estudante de 20 anos, afirmou não ter acontecido “nada demais”. O jornal Extra, do Rio de Janeiro, publicou uma reportagem afirmando que Jady já tem até empresário e vendeu uma entrevista para o tablóide inglês The Sun. A reportagem ainda diz – e ela nega – que a estudante já foi casada com um traficante conhecido como “Diná Terror”, morto em março deste ano.  Além de registrar seu nome na história dos Jogos, Bolt escreveu mais um capítulo da milenar relação entre o sexo e as Olimpíadas.
Tony Perrorrett, autor de “The Naked Olympics: The True Story of the Ancient Games” (“Olimpíadas Nuas: a verdadeira história dos Jogos da Antiguidade”, em tradução livre), definiu os Jogos da Era Antiga como uma espécie de Woodstock. Segundo ele, além das competições, o público se divertia, entre outras coisas, com prostitutas. O autor aponta que em cinco dias de competição elas faturavam mais do que em todo o resto do ano. Isso sem falar nas orgias organizadas pelos torcedores. A farra pagã foi um dos motivos que acabou com os Jogos Antigos, graças à ascensão do Cristianismo.
As “festinhas de atletas” são um dos segredos mais bem guardados dos Jogos. Poucas vezes algumas delas vêm à tona. Em 1984, o brasileiro Robson Caetano, então com 19 anos, deu uma escapada da Vila Olímpica e só apareceu momentos antes da prova dos 200m rasos no atletismo, sua especialidade e onde era esperança de medalha. Acabou afastado sob a acusação de ter se envolvido com uma misteriosa loira durante a noite. Ele levaria duas medalhas de bronze em edições seguintes: uma nos 200m em Seul-1988 e outra no revezamento 4 x 100m em Atlanta-1996.
Em Barcelona, jornalistas e atletas falaram sobre o sexo na Vila Olímpica pela primeira vez de maneira mais aberta. O mesatenista britânico Matthew Syed afirmou ter tido mais relações sexuais naquelas duas semanas de disputa que em todo o resto da sua vida. Os atletas canadenses também abusaram das festas naquela edição. Tanto que o comitê olímpico do país obrigou os competidores a assinarem um “termo anti-sexo” para os jogos seguintes, em Atlanta.

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Ingrid Oliveira (à esquerda) encerrou a parceria com Giovanna Pedroso (à direita) após polêmica sexual na Vila Olímpica


O Blog do Curioso reuniu 10 histórias que comprovam que a disposição dos atletas e torcedores durante as Olimpíadas não se resume às competições.
1. A partir dos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, o Comitê Olímpico Internacional passou a divulgar o número de camisinhas distribuídas na Vila Olímpica. Naquela edição, foram entregues 8,5 mil preservativos. Na edição seguinte, em Barcelona, já foram 100 mil em uma escala que só apresentou uma queda em Atlanta-96 (15 mil). Em 2012, foi batido o recorde de 150 mil preservativos distribuídos em Londres. Quase nada perto 500 mil que foram ofertados no Rio de Janeiro. Uma quantidade, segundo especialistas, exagerada para os 10 mil atletas que habitaram o local. Nos Jogos do Rio, pela primeira vez o COI distribuiu camisinhas femininas também na Vila – 100 mil, já incluídas no total de 500 mil.
2. Na abertura dos Jogos, o presidente do COB Carlos Arthur Nuzmann fez um discurso com passagens em inglês e português. Em um dos momentos em que se aventurou no inglês, agradeceu o presidente do COI, Thomas Bach, por ter “acreditado no sexo brasileiro” – “believed in sex”. A intenção era agradecer Bach por ter “acreditado no sucesso” – “believed in success”.
3. O Tinder, aplicativo de encontros, registrou um aumento de 129% nos “matches” (termo usado para o interesse mútuo entre dois usuários) na região da Vila Olímpica no primeiro fim de semana dos Jogos Olímpicos de 2016. Na cidade do Rio de Janeiro o aumento foi ainda maior: 231%. Em 2012, o Gindr (semelhante ao Tinder, mas destinado aos homossexuais) chegou a sair do ar por 24 horas por causa do inesperado número de acessos na região de Londres.
4. O jornalista britânico Nico Hines usou o Tinder e também o Gindr para “descobrir” atletas gays na Vila Olímpica. Usando um perfil falso, ele afirmou ter conseguido três encontros em uma hora. A “armadilha” rendeu um artigo no The Daily Beast, onde Hines revelava a opção sexual de alguns atletas que não se assumem homossexuais. A péssima repercussão do texto levou jornalista e o próprio site a pedirem desculpas. A publicação ficou no ar por apenas três horas.
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Posto de retirada de preservativos na Vila Olímpica


5. A exemplo do que acontece desde os Jogos de Barcelona, em 1992, o time americano de basquete masculino não ficou instalado na Vila Olímpica nos Jogos do Rio. O endereço dos craques norte-americanos foi um transatlântico ancorado no Píer de Mauá. O objetivo era escapar dos inúmeros pedidos de fotos e autógrafos que os astros do dream team poderiam receber. Mas não deu para preservá-los por completo: seis atletas saíram pelo Rio depois da abertura dos Jogos e afirmaram ter entrado “por engano” em um bordel. Eles acreditavam se tratar de um spa e foram embora assim que perceberam o erro.
6. Nos três primeiros dias dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, tivemos duas notícias tristes. Dois boxeadores foram presos acusados de terem cometido estupro na Vila Olímpica. O marroquino Hassam Saada e o porta-bandeira da Namíbia, Jonas Junius, foram acusados de oferecer dinheiro e tentar agarrar à força funcionárias que faziam a arrumação dos quartos na Vila.
7. Já o porta-bandeira de Tonga, Pita Nikolas Autofotua, virou uma espécie de símbolo sexual da abertura dos Jogos Olímpicos. O atleta do taekwondo entrou no Maracanã portando a bandeira de seu país com uma vestimenta tradicional por lá: apenas um sarongue (espécie de saia) cobrindo a região inferior à cintura e um colar, deixando à mostra o corpo besuntado em óleo. A reação nas redes sociais foi imediata e o atleta foi um dos primeiros nesses Jogos a ter sua imagem transformada em viral no mundo todo. O sucesso foi tão grande que duas repórteres da NBC – Natalie Morales e Jenna Bush, filha do ex-presidente norte-americano George W. Bush – entrevistaram Pita e voltaram a cobrir o corpo do lutador de óleo. No tatame, porém, ele não se destacou. Foi eliminado logo na primeira luta, perdendo por 16 x 1 para o iraniano Sajjad Mardani.
8. Ingrid de Oliveira, dos saltos ornamentais, foi acusada pela parceira, Giovanna Pedroso, de ter tentado a tirar do quarto que dividiam na Vila Olímpica para poder se encontrar com outro atleta do Time Brasil, Pedro Henrique Gonçalves, do remo. O Comitê Olímpico Brasileiro tentou abafar o caso, sem sucesso. A parceria, que já não andava muito bem por discordâncias quanto à preparação e os métodos de treinamento, foi encerrada.
9. Os torcedores também costumam aproveitar o clima de confraternização universal para relembrar as mais pagãs tradições olímpicas da antiguidade. O Ministério da Saúde espalhou 9 milhões de preservativos pelo Rio de Janeiro para os Jogos de 2016. O número foi alcançado a partir de uma “regra de três” usando o número de preservativos distribuídos em quatro dias de Carnaval.
10. Quatro nadadores americanos, dentre eles o campeão do revezamento 4x100m Ryan Lochte, alegaram ter sido assaltados no Rio de Janeiro na madrugada de domingo, dia 14 de agosto. Depois, descobriu-se que tudo não passou de uma farsa. Os nadadores afirmaram em depoimento que inventaram o assalto para salvar o namoro de Lochte com a modelo americana Kayla Rae Read, que também estava no Rio de Janeiro. Segundo os atletas, Lochte teria se envolvido com uma jovem em uma festa e daí veio a ideia de “criar” o assalto. Dias depois, a polícia divulgou um vídeo que mostrava os americanos se envolvendo em uma confusão em um posto de gasolina. Eles foram acusados de depredar o banheiro do local.

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