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Como são os “safáris para caçar pokémons” e quem já trouxe a ideia para o Brasil

25 de agosto de 2016

O sucesso do jogo Pokémon Go tem despertado o espírito empreendedor de muita gente. Nos Estados Unidos, grandes grupos estão se formando para sair atrás dos personagens do aplicativo. São os safáris para caçar pokémons. Capturar as criaturas  não é tão fácil quanto parece. Procurar os pokéstops (pontos onde pode-se conseguir alguns itens importantes) e encontrar os monstros mais raros são algumas das metas que não se aprendem do dia para noite. Por isso, os mais experientes estão aproveitando o momento para realizar os safáris. O primeiro foi Adam Wennick, que comandou 60 jogadores em um tour pelo Central Park, em Nova York. O local é considerado um dos melhores do mundo para se aventurar no jogo.

A ideia foi compartilhada e vem se espalhando pelos Estados Unidos. Um exemplo é o Reid Park Zoo, em Tucson, no Arizona. Lá, desde o dia 13 de agosto, sábado virou dia de caçar pokémons. O zoológico promove um passeio noturno (das 19h às 22h) de aproximadamente meia hora de duração para os visitantes desbravarem o local a um custo de 9 dólares para os adultos, 7 para os idosos e 5 para as crianças. “Primeiro, há a nostalgia, que é uma tendência no mercado de games, com vários jogos e produtores antigos voltando a estar em evidência”, afirma o jornalista Cláudio Prandoni, especialista em games e autor do livro “Pokémon Go de A a Z”, lançado pela editora Panda Books. “ Depois, porque é o jogo que finalmente entrega no mundo real a experiência do mundo virtual, que é poder sair na rua e caçar uns monstrinhos, lutar com outros”.

safari pokemon go

A ideia do safári de Pokémon Go também chegou ao Brasil. Um dos primeiros a perceber o potencial comercial do jogo foi Ridder Soares, de 32 anos, dono de uma empresa de transporte chamada Top Vans.  Ao observar a catarse coletiva provocada pelo aplicativo em Campo Grande, logo pensou que nem todo mundo teria tempo para levar os filhos a caçar pokémons pela capital sul-mato-grossense. Seria ele, então, a solução: “Às vezes, os pais precisam trabalhar ou fazer compras e não podem jogar com as crianças. Então eu pensei que poderia levar essas crianças para passear e deixá-los tranquilos”, conta Ridder. Dali em diante foi só divulgar o projeto e logo apareceram os primeiros clientes.

Usando uma van totalmente adaptada (o veículo foi mandado para o Paraná e ganhou wi-fi, tomada e frigobar), Ridder passou a oferecer um passeio de duas horas e meia pelos pontos turísticos de Campo Grande (segundo ele, os melhores para a caçada), com direito a água e lanche. A ideia fez tanto sucesso que não ficou restrita ao público infantil: “Adulto vem jogar, os pais vêm jogar. Já tive mães que vieram para saber se o passeio era realmente seguro e acabaram jogando junto com os filhos. Algumas crianças vieram três vezes. A mãe me manda um Whatsapp dizendo: ‘não esquece do meu filho’”.

Cláudio, que assina um dos primeiros livros sobre o jogo a serem publicados no Brasil, reconhece o potencial do público infantil, mas alerta que a comunidade de jogadores vai muito além: “A marca está comemorando 20 anos. O público que jogava lá atrás, hoje tem trabalho, tem dinheiro pra gastar, pode comprar um smartphone onde o jogo rode melhor. Acredito que os adultos sejam metade do público e vale a pena sim investir em projetos voltados a eles”. Essa tendência, como confirma o autor, vem predominando nos Estados Unidos.

No Brasil, as crianças vão sendo bem atendidas também. Com a chegada do jogo, a agenda da Top Vans ficou mais apertada e o seu fundador, formado em Turismo e Logística, tenta conciliar o novo serviço com os passeios corriqueiros. Por isso, as caçadas vêm acontecendo aos fins de semana, o que também é mais interessante para as crianças que precisam ir para a escola. Ridder avalia que o jogo tem um potencial enorme para socializar uma geração com cada vez menos contato pessoal: “Hoje elas ficam o tempo todo em casa, no computador”, lamenta. “O jogo permite que elas conheçam a cidade. Já levei adolescentes de 12 anos que nunca tinham ido ao Parque das Nações Unidas, que é um ponto turístico da cidade. Outros não tinham amigos, não falavam com ninguém. Quando entram na van, por causa do jogo, conversam uns com os outros, procuram juntos. Vem sendo um sucesso em Campo Grande”.

Prandoni concorda que o jogo tenha esse potencial: “Embora não faça diferença para a dinâmica do jogo, caçar os pokémons em grupo é muito interessante. Se eu acho um monstrinho em algum lugar, eu conto para todos os outros do grupo. E vice-versa. Pokemón Go quebra a estigma do jogo de videogame que deixa as pessoas reclusas, trancadas em casa”, pontua. “Jamais um jogo atingiu essa experiência em uma escala tão grande. Consoles como o Nintendo Wii estimularam o movimento, mas não conseguiram tirar o jogador de casa”, concluiu.

Cláudio Prandoni é o autor de “Pokemón Go de A a Z”, lançado pela Panda Books

Empolgado, Ridder já faz planos para o futuro: “Acho que essa febre ainda vai durar muito, então estou pensando em trazer mais um carro para a frota. Pensei ainda em um trenzinho, como os que costumam rodar em cidades do interior de São Paulo”, revela. Para ele, o sucesso da ideia certamente vai atrair concorrentes na cidade, o que não é motivo de preocupação: “Estou preparado para isso. Aposto no conforto dos clientes. Me falavam que eu investia demais no veículo e cobrava a mesma coisa dos outros e que não daria certo, mas hoje reconhecem que eu tinha razão”.

Se depender da previsão do especialista Cláudio Prandoni, o motorista pode se preparar para muitos safáris: “Pokémon Go veio pra ficar, sim. Não será mais essa febre de agora, mas, assim como as redes sociais, irá fazer parte do dia a dia das pessoas. Quem for a um parque caminhar ou andar de bicicleta sempre encontrará um grupo jogando. Até porque o Pokémon Go, por enquanto, só tem os 151 monstrinhos da primeira geração. O jogo tem mais de 700, então ainda há muito o que explorar”. Ele ainda acredita que o formato de interação com o mundo real deve ser reproduzido em outros jogos: “Ainda não há nenhum projeto concreto, mas acredito que vá se tornar uma tendência. É só as empresas conseguirem conciliar a vocação mercadológica do formato com a publicidade, a venda de patrocínios”, finaliza.

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