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Expressões do futebol brasileiro foram inspiradas em nomes de jogadores

3 de junho de 2014

Volante, gandula, domingada, gol de peixinho e chaleira, cinco expressões bastante usadas no futebol brasileiro, foram criadas a partir do nome de jogadores.  O Blog do Curioso apresenta esses personagens e conta a origem das expressões:

Volante
Num time de futebol, o volante é aquele jogador que faz o primeiro combate no meio de campo, uma espécie de protetor da zaga. Pode partir, eventualmente, para o ataque. O nome da posição é uma referência ao argentino Carlos Martin Volante, cuja primeira experiência no futebol brasileiro foi como massagista da seleção canarinho durante a Copa de 1938. Na época, o argentino jogava na França e aproveitou a realização do Mundial no país para fazer um “bico”.

Logo depois do torneio vencido pela Itália, Carlos Martin foi chamado para jogar no Flamengo. Atuou na equipe carioca de 1938 a 1943, contribuindo para os títulos estaduais de 1939, 1942 e 1943. Depois de eternizar a função que, no Brasil, ficou conhecida como “volante”, Carlos Martin se dedicou à carreira de técnico, trabalhando no Internacional de 1946 a 1948. Na maioria dos países, a posição do volante é conhecida como “policial” ou “guarda-costas”; na Suécia, ganhou o nome de “capote”, por mimetizar um casaco pendurado nas costas do centroavante adversário.

Gandula
No mundo inteiro, nas diferentes línguas, a função de gandula é tratada como um pegador de bolas: apanha-bolas (português de Portugal), recogepelotas (espanhol), ball boy ou ball girl (inglês), ramasseur de balles (francês) e raccattapalle (italiano), só para citar alguns exemplos.

No Brasil, há uma versão envolvendo o argentino Bernardo Gandulla, ponta do time do Vasco da Gama no ano de 1939. O jogador veio do Ferro Carril Oeste, de Buenos Aires, para disputar o Campeonato Carioca. Mas ficou um mês impossibilitado de jogar por causa de problemas com sua transferência. Mesmo sem atuar, ele ficava na beirada do campo, repondo a bola rapidamente para os companheiros e adversários. Daí, quando a Liga Carioca de Futebol resolveu oficializar a função, em 1940, o nome de Gandulla foi lembrado. E assim ela foi batizada.

Embora sua passagem pelo Vasco não tenha sido tão incrível. Ele disputou 29 partidas (dez vitórias, oito empates e onze derrotas). Gandulla foi campeão argentino duas vezes pelo Boca Juniors, clube que também treinou no final da década de 1950. Falecido em 1999, aos 83 anos, ele foi sepultado no Mausoléu do Boca Juniors, que fica dentro do Cemitério de Chacarita. O cantor mais famoso da Argentina, Carlos Gardel, está enterrado lá também.

Em 2011, eu entrevistei um dos netos de Bernardo Gandulla em Buenos Aires. Ele confirmou a história, que disse ter ouvido do próprio avô. O dicionário Houaiss também traz essa versão. Respeitados pesquisadores brasileiros, no entanto, garantem que o termo já era utilizado desde o início da década de 30 – antes de Gandulla defender o Vasco. A palavra teria vindo de “gandulo”, que significa garoto vadio, sem ocupação. Ela se referia aos meninos que ficavam vendo jogos de futebol em volta dos campos.

Chaleira
É um chute dado com o lado de fora do pé, estando a perna levantada e dobrada para trás. A jogada foi criada por Charles Miller, que trouxe a primeira bola de futebol para o Brasil. O lance chamava-se “charles”, mas com o tempo passou a “chaleira”.

Charles Miller era filho de ricos imigrantes ingleses, que, atraídos pela oportunidade de trabalho na São Paulo Railway Company, haviam migrado para o Brasil. Aprendeu a jogar futebol durante um período de estudos na Inglaterra. Nessa época, o recém-criado esporte se chamava “football association”. Apesar de bom aluno, preocupava-se mais com o seu desempenho esportivo, sempre testando diversas jogadas e posições.

Domingada
Quando um zagueiro faz uma besteira dentro da área, diz-se que ele fez uma domingada. O termo é uma referência a Domingos da Guia, e originalmente não carregava o sentido pejorativo que acabou adquirindo. Domingos da Guia, que jogou de 1929 a 1950 em times nacionais, internacionais e na Seleção Brasileira, é considerado um dos melhores zagueiros clássicos do futebol brasileiro. Diferentemente do que fazia a defesa comum, Domingos evitava os chutões de dentro da área, preferindo dominar a bola e driblar seus adversários até conseguir passar para um companheiro de equipe. Por isso, a imprensa esportiva da época apelidou o lance de “domingada”.


Acontece que, na Copa de 1938, na semifinal que o Brasil jogou contra a Itália, Domingos da Guia se descontrolou e agrediu o italiano Piola dentro da área, cometendo um pênalti decisivo. Com o gol, a Itália venceu a Seleção Brasileira por 2 x 1 e se classificou para a final. A gafe marcou a carreira do zagueiro, fazendo com que qualquer jogada desastrosa da defesa dentro da área fosse então apelidada de “domingada”.

Peixinho
Gol de peixinho é aquele em que o jogador dá um mergulho, quase rente ao gramado, para cabecear. Na inauguração do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, em 2 de outubro de 1960, o São Paulo enfrentou o Sporting, de Portugal. O primeiro gol do novo estádio foi marcado pelo jogador Arnaldo Poffo Garcia, mais conhecido como “Peixinho”, por causa de seu pai, Peixe, ex-jogador do Ypiranga. Peixinho deu um desses mergulhos para marcar e acabou batizando a jogada.


Cria das categorias de base do São Paulo, Peixinho deixou o clube em 1961, sem nunca ter entrado na equipe titular. Depois disso, passou pela Ferroviária, de Araraquara-SP; pelo Santos, pelo Comercial (de Ribeirão Preto), pelo Bangu e arriscou até uma carreira internacional, ao jogar no Deportivo Itália (Venezuela) e no First Portuguese (Canadá). Hoje, aposentado e com 73 anos, comanda uma escolinha de futebol em Piracicaba, interior de São Paulo.

 

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