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A arma secreta do time de basquete do Pinheiros na final do Mundial

2 de outubro de 2013

Sexta e domingo, dias 4 e 6 de outubro, o time de basquete do Esporte Clube Pinheiros, atual campeão da Liga das Américas, entrará em quadra na cidade de Barueri (SP) com o maior desafio de sua história: derrotar o poderoso Olympiacos, da Grécia, bicampeão da Euroliga, e conquistar a Copa Intercontinental, espécie de mundial interclubes, que não é disputado desde 1996. Às vésperas da partida, os holofotes estão direcionados para os jogadores do Pinheiros e para o técnico da equipe, Cláudio Mortari, que terá a chance de vencer a competição pela segunda vez em sua carreira (a primeira foi em 1979, quando comandou o Esporte Clube Sírio, que contava com nomes como Oscar, Marcel e Marquinhos). Outro personagem quase anônimo, porém, também merece destaque nessa batalha pelo título.
O nome dele é Fabrício Freire Rocha, membro do CIAA (Centro Integrado de Apoio ao Atleta), órgão criado pelo Pinheiros para auxiliar as equipes esportivas em áreas como preparação física, acompanhamento nutricional e psicológico dos atletas de diversas modalidades. Mas a função de Fabrício é um pouco diferente. Ele é responsável por analisar as partidas dos adversários da equipe e repassar informações importantes para a comissão técnica. Para isso, o rapaz de 23 anos analisa vídeos disponíveis na internet e usa o software Darth Fish para filtrar as informações sobre os futuros rivais e editar as imagens selecionadas.

Fabrício explica que não adiantaria só levar números e informações para a comissão do treinador Cláudio Mortari. “Se eu disser que um jogador adversário acertou 10 de 12 arremessos em uma partida, não será tão útil assim”, explica. “O diferencial do meu trabalho é descobrir de onde e como ele arremessou”. Faz ainda uso de metáforas para ilustrar sua função: “Muitas vezes, eu atuo como o médico, que precisa analisar todos os dados de um paciente doente para formular um diagnóstico”. Mas a maior novidade no trabalho de Fabrício talvez seja a velocidade com que o processo de análise dos vídeos acontece. A tecnologia por ele utilizada permite que, nos intervalos das partidas, a comissão técnica já tenha à disposição as imagens da primeira etapa do jogo, o que torna a visualização pelos atletas muito mais eficaz do que aquela obtida com a velha prancheta.
O estudante do Curso de  Esporte da USP começou a trabalhar com o time em março de 2013. Ficou sabendo que o Pinheiros estava à procura de profissionais que atuassem na área de “análise de jogo” e enxergou a oportunidade de unir uma antiga paixão à profissão. “Eu sempre gostei de esporte, principalmente das modalidades coletivas, e até gostava de praticá-las, mas minha preferência era conversar sobre os jogos e aprender com eles”. E é justamente essa íntima relação com o esporte que faz Fabrício sonhar com a expansão de sua função para outras modalidades nos próximos anos. “Acredito que a área de análise de jogo é muito rica, e só tem a crescer daqui para frente”. Enquanto isso não acontece, porém, Fabrício irá se contentar com o título do Pinheiros sobre o Olympiacos. Sua concentração para a decisão é tanta, aliás, que estará presente no ginásio em Barueri, mesmo estando em recuperação de uma cirurgia para a retirada do apêndice, que aconteceu na última segunda-feira.

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