Acabei de voltar de uma viagem com uma edição especial da revista Time que fala sobre as 100 personalidades mais influentes do mundo que nunca existiram. Enquanto folheava a revista, fui lembrando de alguns personagens brasileiros, criados em campanhas de conscientização promovidas pelo governo. Personagens que também nunca existiram, mas que fazem parte da história brasileira. Vale a pena relembrar deles:

Sujismundo

Foi um personagem criado pelo desenhista de quadrinhos e diretor de animação Ruy Perotti em 1971, a pedido do governo militar brasileiro. Ele fazia parte da campanha publicitária “Povo desenvolvido é povo limpo”. A ideia era conscientizar a população sobre o problema do lixo nas ruas. Os comerciais estrelados por Sujismundo foram ao ar apenas até 1972.

Leão do Imposto de Renda

Em 1979, a Receita Federal brasileira desejava divulgar uma nova tecnologia que estava sendo usada  para o recolhimento do Imposto de Renda. A DPZ, agência publicitária contratada para fazer os anúncios, achou que a explicação fornecida pelo governo era muito complicada e escolheu a figura do leão.  A escolha do rei dos animais foi simbólica, já que ele é considerado justo e leal. Jamais ataca sem avisar. Com o tempo, porém, o leão  passou a ser lembrado pela voracidade dos governos em cobrar impostos.

Zé Gotinha

Surgiu em 1986, durante a campanha de prevenção à paralisia infantil, promovida pelo Ministério da Saúde. A criação foi do artista plástico Darlan Rosa. O  personagem nasceu sem nome. Passou a ser chamado de “Zé Gotinha”  depois de um concurso feito com crianças entre  3 e 12 anos. O maior inimigo do personagem também tinha nome:  o monstro “Perna de Pau” (que representava o vírus da poliomielite),   E o Zé Gotinha ainda hoje marca presença em postos de vacinação e comerciais de TV. Recentemente, ele apareceu como rapper numa propaganda da campanha de vacinação contra a poliomielite. No comercial, é chamado pelas crianças de “Mano Zé Gotinha”.

Bráulio

Este talvez seja o mais inusitado da lista. Afinal, Bráulio era o nome do órgão sexual de um rapaz em campanha contra a Aids, organizada pelo Ministério da Saúde, em setembro de 1995. Em pouco tempo no ar, o comercial deu o que falar e virou tema de dezenas de piadas. O governo tratou de tirá-lo do ar. Mas a polêmica em torno do assunto não terminou aí: em 2001, um sujeito chamado Bráulio entrou na justiça, dizendo ter sido vítima de danos morais em brincadeiras feitas pelos amigos. O tribunal não se comoveu com a história e negou o pedido de indenização.