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A bola do Maracanazo, cercada de histórias, está desaparecida

11 de julho de 2014

Neste domingo, depois de 64 anos, o Maracanã volta a ser palco da final de uma Copa do Mundo. Haverá até uma bola especial para a ocasião – a “Brazuca Final Rio”.
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Ela é  branca com detalhes em dourado e verde. Na Copa de 1950, não havia nada disso.  A bola usada em toda a competição era a Superball Duplo T, criação argentina que tinha 12 gomos, uma câmara infiltrada e nenhum cadarço à vista. O nome “Duplo T” refere-se ao formato de costura dos gomos, que lembrava a 19ª letra do alfabeto. A bola marrom foi usada nos 22 jogos do torneio, inclusive na fatídica derrota brasileira final.

Ghiggia, com a Superball Duplo T nas redes, entra na história do futebol

Ghiggia, com a Superball Duplo T nas redes, entra na história do futebol

Os jornalistas uruguaios Carlos Cipriani e Andrés López Reilly escreveram o livro “La Pelota del Maracanazo”, que comprei na recente viagem que fiz ao Uruguai. Os autores reconstituem o mistério que cercou o paradeiro da bola depois da final de 16 de julho de 1950. Em uma versão popular, o goleiro Máspoli deu a bola de presente aos padres da igreja de San Como, o santo das causas impossíveis. Os padres emprestaram a bola  para jovens praticarem o futebol e sonharem em ser Ghiggia ou Schiaffino nos arredores da Praça da Assembleia, localizada na cidade de Floresta, a 100 km de Montevidéu. O aclamado local, após 30 anos do Maracanazo, sofreu um ataque que causou o desaparecimento momentâneo da bola do jogo.

O livro uruguaio conta o mito da bola e outras histórias do Maracanazo

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O templo de San Cono era usado para armazenar oferendas que as pessoas concediam ao “santo dos milagres impossíveis”, como joias de ouro ou vestidos de noiva. Antes de o goleiro Roque Máspoli levar a bola, Julio Pérez, volante uruguaio em 1950, entregou à capela a camisa usada no Maracanazo. Por ser um local aberto e cheio de riquezas, a capela era sujeita ao roubo. Em 1980, ladrões entraram no período da noite e levaram embora tudo o que tinha de valor, inclusive a bola e a camisa que marcaram a maior vitória do futebol uruguaio. Os autores do furto nunca foram conhecidos, gerando mais teorias sobre o paradeiro da “pelota”.
Trinta e dois anos depois do roubo, a bola reapareceu… no Brasil! Uma agência de leilões gaúcha anunciou em junho de 2012 que a Superball Duplo T estava em Porto Alegre e seria leiloada pelo preço base de 22 mil dólares. Equipes de reportagem do uruguaio El País e do brasileiro Globo Esporte se apressaram em apurar a autenticidade da bola e acabaram atestando que, na verdade, ela nunca tinha rolado nem no campo do Maracanã nem no da igreja de Florida. Tratava-se de uma bola leiloada dois anos antes pela Bonhams, mais famosa casa de arremates em Londres, por 1.800 dólares. Na ocasião, os presentes estavam cientes de que, apesar de autografada pelos campeões mundiais, a bola não tinha sido usada em jogo.

Anderson Macial ajeita a "bola" do Maracanazo na Agência de Leilões

Anderson Macial ajeita a “bola” do Maracanazo na Agência de Leilões

Ainda assim, um comprador identificado apenas como Henrique pagou o preço base do leilão gaúcho e levou para casa a redonda. Para aumentar a polêmica, Ghiggia, autor do gol uruguaio da vitória, afirmou em vídeo gravado pelo leiloeiro que aquela bola era a verdadeira do Maracanazo. Por outro lado, Gladys Castro, mulher do volante Julio Pérez, contradisse a versão de Ghiggia, confirmando que o goleiro Roque Máspoli teria entregado a bola à igreja de San Cono. Assim como o Maracanazo, é um caso que ainda vai dar muito o que falar.

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