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Eleições nos Estados Unidos

24 de abril de 2019

1. As eleições norte-americanas ocorrem a quatro anos, sempre na terça-feira seguinte à primeira segunda-feira de novembro. A origem da data, estipulada em 1845, está no fato de, à época, os Estados Unidos serem um país rural: como sábado era um dia normal de trabalho e domingo era dia de descanso, seria preciso escolher um dia útil. Com quarta-feira fora da jogada por ser o dia das compras, foi escolhida a terça-feira e assim ficou.

2. Ao longo dos anos, várias tentativas foram feitas para transferir a votação para o fim de semana, mas a tradição fala mais alto. Como se trata de um dia útil, cerca de um quarto dos eleitores, em média, não costuma comparecer às urnas. O voto é facultativo, ao contrário do que acontece no Brasil.

3. Ao todo, os americanos já elegeram 52 presidentes. De 1852 para cá, apenas candidatos do Partido Democrata ou do Partido Republicano foram eleitos presidentes, com considerável vantagem para os republicanos (28 a 13). Antes disso, foram dois Whigs (inclusive o último antes da bipartidarização, Millard Fillmore, em 1850), quatro democratas-republicanos, um federalista, um sem partido (o primeiro, George Washington) e mais três democratas.

4. Partidos dominantes da política norte-americana, Democrata e Republicano possuem, respectivamente, um burro e um elefante como seus símbolos. O burro nasceu em 1828, quando o nacional republicano John Quincy Adams associou a teimosia do animal às propostas do democrata Andrew Jackson. Eleito, Jackson adotou o apelido por outro viés: como símbolo de coragem (nos Estados Unidos, a palavra “burro” não é associada à falta de inteligência). Apenas em 1870 a mascote pegou. A causa foi um desenho feito pelo chargista Steve Nast no dia 15 de janeiro e que caiu no gosto do eleitor democrata. Quatro anos depois, ele fez sucesso também com o elefante que desenhou para os republicanos. O animal foi escolhido porque também pode ser visto de duas formas: pela arrogância e pela pomposidade (para os inimigos) ou pela força e pela dignidade.

5. Antes da eleição propriamente dita começar, os partidos realizam prévias em cada um dos Estados para definir o seu candidato. Os filiados aos partidos votam e o candidato que tiver mais votos soma delegados (proporcionais ao tamanho do estado) do colégio eleitoral à sua candidatura. Ao final das prévias, aquele que somar mais delegados se torna o candidato oficial. Ao longo dessa jornada, alguns renunciam ao perceber que não possuem mais chances. Dessa forma, podem apoiar alguma outra campanha e transferir automaticamente os seus delegados para ela.

6. Cerca de 40% do eleitorado norte-americano vota bem antes do dia da eleição pessoalmente ou pelo correio. Por isso, inclusive, a votação já está acontecendo desde o dia 29 de setembro, 40 dias antes da data oficial. A medida visa diminuir as intermináveis filas do prazo final. Os votos, porém, são apurados apenas depois do fechamento das urnas na terça-feira decisiva.

7. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, não existem apenas os partidos democrata e republicano nos Estados Unidos. Ao todo, são 75 legendas das mais variadas ideologias (algumas restritas a causas locais, como o Partido Independentista Portorriquenho ou o Partido da Independência Sulista) que concorrem a cadeiras na Câmara, no Senado e, eventualmente, ao governo dos estados.

8. Desses 75, quatro concorrem em eleições presidenciais: os mais famosos são o Partido Verde, que em 2016 tem Jill Stein como candidata, e o Partido Libertário, cujo candidato é o governador do Novo México, Gary Johnson. O Partido Reformista e o Partido da Constituição não possuem candidatos este ano.

9. Não entram nessa conta os chamados “candidatos independentes”, que não se filiam a nenhum partido e lançam candidaturas avulsas nas prévias. Como qualquer um pode preencher a ficha de candidatura, esse ano foram mais de 1.500 aspirantes ao lugar de Barack Obama. Inclusive há, pelo Partido da Nutrição, um filho de imigrantes brasileiros, Rod Silva, de 38 anos, cujo lema era “Make America Healthy Again” (“Faça a América Saudável de Novo”) em alusão ao “Make America Great Again” (“Faça a América Grande de Novo”) do republicano Donald Trump. Rod tem 44 anos e é sócio de uma cadeia de 55 restaurantes que surgiu em 1995 como alternativa aos fast-foods e que oferece uma alimentação mais saudável. Ele nasceu em Newark, no estado de Nova Jérsei.

10. Para poder se candidatar de fato, porém, é preciso ser americano, ter mais de 35 anos e ter vivido pelo menos 14 deles no país, além de apresentar um gasto de no mínimo 5 milhões de dólares ao longo da campanha. Cumprir essas exigências não garante que o nome apareça nas cédulas. As regras variam de estado para estado, mas, em geral, é preciso apresentar um número de petições muito alto e outras garantias. Por isso, em alguns estados, nem mesmo os Libertários ou o Partido Verde aparecem nas cédulas.

11. Nas eleições presidenciais norte-americanas, o resultado não é decidido a partir do número absoluto de votos, como no Brasil. Cada estado possui um número de delegados que decidirá o novo presidente. O número de delegados é o mesmo da soma de deputados e senadores que aquele estado possui. Ao todo, são 538 delegados nomeados pelos partidos e, portanto, é preciso atingir 270 votos nesse colégio para se eleger.

12. O voto popular é absolutamente decisivo: em 48 dos 50 estados norte-americanos mais o distrito federal, vale a máxima do “Winner Takes All” (“o vencedor leva tudo”). O candidato que mais receber votos tem direito a escolher todos os delegados. Por exemplo: se um candidato vence na Pensilvania, nomeia 20 delegados e, assim, soma 20 votos para o seu colégio eleitoral.

13. As exceções são os estados de Maine e Nebraska, onde o território é dividido em distritos. Em cada distrito, elege-se um delegado. No Maine, por exemplo, são quatro. Dessa forma, se um candidato vence em três distritos e o outro em um, ele terá três delegados e o adversário um para o seu colégio eleitoral.

14. É justamente por causa desse sistema que um candidato pode ser eleito sem receber a maioria dos votos. O caso mais famoso foi o de 2000, quando o democrata Al Gore recebeu mais votos que o republicano George W. Bush (48,38% contra 47,87%), mas perdeu a disputa no colégio eleitoral por 271 a 266. Isso aconteceu porque Bush venceu em um número maior de estados (30 a 20, tendo Al Gore vencido ainda no Distrito Federal), tendo portanto somado um número maior de delegados. Em resumo: vale mais vencer em 10 estados por um voto de diferença do que em um estado por 10 mil votos de vantagem. Isso aconteceu outras três vezes, também com triunfo de um republicano sobre um democrata: em 1876 (Rutheford J. Reyes sobre Samuel J. Tilden), em 1888 (Benjamin Harrison sobre Grover Cleveland) e em 2016 (Donald Trump sobre Hillary Clinton).

15. Na eleição de 2000, as redes de TV americanas apontaram Al Gore como vencedor dos 25 delegados da Flórida com base nas pesquisas eleitorais. No entanto, a apuração da urnas revelou que Bush foi o escolhido no estado. O resultado mudou a eleição. Al Gore chegou a pedir a recontagem dos votos em quatro condados, sem sucesso.

16. É praticamente impossível eleger ao menos um delegado sem ser candidato de republicanos ou de democratas. De 1948 pra cá, isso só aconteceu em 1968, quando o independente George Wallace arrebatou 46 dos 538 delegados (13,5% do total) e ficou em terceiro.

17. O antigo Partido Progressista foi o último a conseguir terminar uma eleição à frente de um democrata ou republicano. O ex-presidente Theodore Roosevelt ficou em segundo lugar em 1912 com 88 delegados, contra apenas oito do republicano William Howard Taft. O democrata Woodrow Wilson foi eleito com 435 votos.

18. Se por um acaso mais de dois candidatos conseguirem delegados e o primeiro colocado não atingir 270 votos no Colégio Eleitoral, a Câmara dos Deputados elege de maneira indireta o presidente, ficando o Senado responsável por eleger o vice.

19. Em 2008, o democrata Barack Obama se tornou o primeiro negro eleito presidente dos Estados Unidos. De quebra, foi o candidato mais votado da história, recebendo 69.498.516 votos (52,9% dos válidos). Proporcionalmente, porém, o recordista é o democrata Lyndon B. Johnson, que teve 61,05% dos votos válidos em 1964.

20. No Colégio Eleitoral, o recorde é do republicano Ronald Reagan (que tinha George H. Bush, o “Bush pai”, como vice). Em 1984, o ex-ator teve 525 votos dos delegados contra apenas 13 do democrata Walter Mondale.

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