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O garimpador de histórias da TV

6 de dezembro de 2021

Apesar de ser uma ferramenta maravilhosa, a internet ainda é muito defasada com relação à história da TV brasileira e seus personagens. Pesquisar sobre nossa televisão é, antes de mais nada, um trabalho de garimpagem. As pesquisas que Magalhães Júnior faz há quase 20 anos já lhe recompensaram com momentos de muita emoção. Ele lembra de quatro pesquisas que lhe deram muito orgulho. E o derramamento de algumas lágrimas também.

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Aloysio Silva Araújo

Aloysio Silva Araújo foi criador de programas de rádio e TV, autor, ator, comediante, humorista e músico. Nasceu em Nova Friburgo (RJ) em 18 de Junho de 1910 e morreu em São Paulo em 06 de Junho de 1974. Aloysio criou, produziu e escreveu diversos programas, como “São Paulo Num Ti Guento” (TV Paulista, 1959), “Lotação Ponto 5” (TV Paulista, 1959), “Praça da Alegria” (TV Paulista, 1960) e “O Riso é o Limite  (TV Rio, 1961).

 

 

Há dois outros que ficaram marcados na memória da TV. Foram dois programas que nasceram no rádio e ali fizeram muito sucesso. Depois foram adaptados para a televisão e o sucesso continuou o mesmo. O primeiro chamava-se “Cadeira de Barbeiro”, criado por ele em 1941. O próprio Aloysio interpretava o barbeiro italiano Papanatas, que, conversando com o cliente, acabava criticando com humor tudo o que envolvesse o momento vivido pelo país.

 

 

Estreou na TV Paulista em 1963. O segundo foi “Miss Campeonato”, criado por Sérgio Porto, o “Stanislaw Ponte Preta”, para a Rádio Mayrink Veiga na metade dos anos 1950. Em 1957, “Miss Campeonato” tornou-se programa também da TV Paulista, com  textos de Aloysio Silva Araújo. Muitas dessas informações foram conseguidas depois que Magalhães localizou Marta Silva Araújo, uma das filhas de Aloysio.

 

 

 

Arapuã (Sérgio de Andrade)

Arapuã nasceu em 1928 na cidade de São Paulo, onde também viria a falecer em 2009. Grande frasista, ele foi o primeiro a criar para o rádio um programa que reunia esporte e humor. Isso em 1956, pela Rádio Panamericana, o programa “O esporte está na mesa”. Ele trouxe a experiência dos jornais para a TV. Ele assinou no “Diário da Noite” e na “Última Hora” uma coluna chamada “Ora, bolas”.

 

 

Arapuã também criou, apresentou e escreveu vários programas de variedades. Na TV, uma de suas maiores marcas foi a criação de uma campanha publicitária, em 1970, para reerguer as vendas do Guaraná Antarctica, que havia perdido mercado para a Coca-Cola. O Guaraná Antarctica era tido como refrigerante de criança e de velhos. Para mudar esse conceito, ele criou o “Teobaldo” (interpretado pelo comediante Roberto Marquis). O personagem fez tanto sucesso que Roberto o adotou como nome artístico e a bebida viu as suas vendas explodirem.

 

 

 

Nenê (Lídio Benvenuti)

Nenê foi baixista da banda Os Incríveis, famosa nos tempos da Jovem Guarda. Lídio Benvenuti Júnior, o Nenê, nasceu em São Paulo no dia 10 de abril de 1947. Faleceu também na capital paulista em 30 de janeiro de 2013. Nenê era multi-instrumentista: tocava baixo, guitarra, violão, bateria, teclado e pistão. Gravou seu primeiro disco em 1961, aos 14 anos, como integrante da banda The Rebels. Pouco depois surgiria uma outra banda chamada The Clevers.

 

 

Em 1965, a The Clevers passou a se chamar Os Incríveis e Nenê entrou como baixista. Foram 10 anos ininterruptos e mais tantos outros em períodos intercalados. Desde o final da Jovem Guarda, Nenê se tornou músico de estúdio e músico convidado a participar de shows e turnês, acompanhando cantores e cantoras. Podia ser alguém ligado ao rock, caso de Raul Seixas, ou ligado à MPB, como Elis Regina.

 

Jacqueline Myrna

Jacqueline Myrna nasceu em Bucareste, na Romênia, em 4 de dezembro de 1944. Ainda adolescente chegou ao Brasil em 1961 e aqui conseguiu emprego como bailarina na TV Excelsior de São Paulo. Começou a fazer pequenas participações como atriz, sobretudo no programa “Moacyr Franco Show”. Contratada pela TV Record, ela começou a participar da “Praça da Alegria”, contracenando com Manoel de Nóbrega. Por ter morado muito tempo em Paris, ela tinha um forte sotaque francês. Isso lhe ajudou a ganhar logo o posto de sex symbol da TV brasileira nos anos 1960. O bordão “Brasileirro é tão bonzinho” se tornou um clássico. Os “erres” carregados eram um charme, ainda mais quando ela se referia à cidade de Araraquara  (“Arrarraquarra”), no interior de São Paulo.

Jacqueline Myrna também participou de alguns filmes, como “As Amorosas”, “As Cariocas” e “As Confissões de Frei Abóbora”, onde contracenou com Tarcísio Meira. No início dos anos 1970, ela foi contratada para fazer um seriado nos Estados Unidos. Viajou… e dela nunca mais se soube. Até que gente muito curiosa resolveu descobrir seu paradeiro e a reencontrou.

 

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