As investigações sobre o acidente de avião que matou o presidente polonês, Lech Kaczynski, e mais 96 passageiros no último final de semana ainda não chegaram ao fim. Mas as suspeitas iniciais indicam que a causa da tragédia teria sido falha humana.

Lech Kaczynski - IMDb

Mesmo assim, muito tem se questionado sobre a qualidade dos aviões da empresa de defesa e aeronáutica russa Tupolev, fabricante do modelo da aeronave que caiu. Depois do acidente, diversos veículos de comunicação publicaram a lista de acidentes com aviões da marca nas últimas décadas. Na Bulgária, onde o jato presidencial também é  um modelo Tu-154, os voos foram  temporariamente suspensos. E permanecerá dessa forma até que se apurem as causas do acidente. A China, por sua vez, já havia abandonado o uso de todos os Tu-154 no país em 2001, sob a justificativa de design antiquado. O modelo foi projetado na década de 60.
Hoje, já não se produzem mais Tu-154. Mas esse modelo foi, por mais de 25 anos, a espinha dorsal do sistema de aviação doméstica da antiga União Soviética e da atual Rússia. Cerca de metade de todos os passageiros da empresa aérea nacional, a Aeroflot, embarcou em um Tupolev ou em seus sucessores nesse período. Na década de 1990, o número de passageiros por ano chegou a 137 milhões.
Tu-154
Atualmente, ainda há cerca de 1 mil aviões desse modelo na Rússia e em países da ex-União Soviética. Antes mesmo do acidente, a Aeroflot já havia tomado a  decisão de abandonar o uso do modelo, alegando que o alto consumo de combustível encarecia os custos. Agora, a maioria das aeronaves da empresa são dos fabicantes Boeing ou  Airbus.
Mas vamos pegar leve com o Tupolev. Pode até parecer que a desgraça de Kaczynski tenha sido embarcar em um Tupolev. Estatísticas apontam  que a maioria dos acidentes aéreos não tem relação com o modelo da aeronave. Segundo as investigações, o acidente do último dia 10 pode dar mais subsídios para essa conclusão. Pesquisa feita pelo Escritório de Registros de Acidentes Aéreos revelou que, em 2009, 67,57% dos acidentes aconteceram por erro humano, contra 20,72% de falhas técnicas. Além disso, em 2008, o mesmo instituto avaliou  que, de todas as falhas técnicas, 28% foram causadas por erro humano na hora da manutenção.