Especialista em desvendar fake news apresenta o Sleeping Giants Brasil

1 de julho de 2020
Depois de quatro anos de atuação nos Estados Unidos, o movimento Sleeping Giants chegou ao Brasil em maio passado. No primeiro mês, a conta no Instagram passou de 100 mil seguidores e a de Twitter. 375 mil. A ideia é desmonetizar sites que espalham fake news e discurso de ódio, alertando empresas que fazem publicidade na plataforma AdSense, do Google, uma das principais fontes de renda da turma. Cerca de 400 empresas aderiram ao movimento. Conversei com o pioneiro brasileiro do assunto, Gilmar Lopes, criador do site E-Farsas em 2002. A entrevista foi ao ar no “Você é Curioso?” (26/06/2020).


Quem fundou o Sleeping Giants?
O movimento original surgiu nos Estados Unidos e foi fundado pelo publicitário Matt Rivitz em novembro de 2016. No Brasil, o Twitter do Sleeping Giants Brasil ganhou vida no dia 18 de maio de 2020. Foi colocado no ar por um estudante que já fazia pesquisas relacionadas ao tema de fake news no país. O que eu sei é que atualmente o perfil do Twitter é gerenciado por duas pessoas e conta com a ajuda de uma terceira no Instagram, todos anônimos por questões de segurança.

Qual é o objetivo do movimento?
De acordo com o que um representante me escreveu, o objetivo é a desmonetização de sites propagadores de fake news e discursos de ódio. Eles explicou também que o movimento não tem espectro político e os alvos são escolhidos com base na proporção, relevância e alcance dos portais.

Quais foram os resultados em pouco mais de um mês de atuação?
Até agora três sites foram alvo do movimento. O “Jornal da Cidade Online” teve sua desmonetização feita por completo em duas semanas; o “Conexão Política” teve seu Adsense removido em menos de 24 horas; e o “Brasil Sem Medo” já perdeu aproximadamente 200 empresas. Foram cerca de 400 respostas positivas de empresas apoiando o movimento. O Sleeping Giants Brasil fez cálculos que demonstraram para esses sites uma perda de 447 000 reais em arrecadações online excluídas ou reanalisadas e remoções de Adsense.

Qual é a metodologia de atuação?
É alertar publicamente as empresas que muitas vezes nem sabem que estão contribuindo com a monetização desses sites. O Sleeping Giants escolhe o site alvo e divulga um dossiê de fake news já publicadas, assim como eventuais processos jurídicos que envolvam a divulgação de conteúdos mentirosos ou preconceituosos. Depois disso, os seguidores ajudam com prints dos anunciantes encontrados na página do site. Mandamos um alerta, marcando a empresa, e aguardamos o retorno. Se a resposta for positiva, ela também é publicamente agradecida pelo posicionamento e pela ajuda ao movimento.

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Existe maneira desses sites driblarem esses bloqueios?
Dos anúncios não. Se a empresa solicita ao departamento de marketing que inclua o site em sua blocklist não há maneiras de driblar isso. Esse dinheiro investido no Google jamais irá para sites bloqueados. É uma decisão que só cabe à empresa. Quem atende rapidamente esse questionamento fica bem com o público. Algumas empresas grandes já têm um time especializado para isso não acontecer. Empresas menores ainda não.

Em que outros países o Sleeping Giants vem atuando?
Estados Unidos, França, Nova Zelândia e Canadá são os perfis mais ativos. No Brasil, apareceram também vários perfis regionais de maneira independente para focar nos anúncios por região e também para ajudar o perfil nacional.

Qual é a sua opinião sobre o Sleeping Giants?
Acho que eles estão atacando inicialmente apenas sites declaradamente de direta, que apoiam o governo. Estamos cobrando também que vejam sites de posicionamento à esquerda. Ou até mesmo sites que não tratam só de política, mas também de saúde. Por enquanto, pegaram apenas três sites e prometeram abrir esse leque. Enquanto estiverem só de um lado político, fico com o pé atrás.

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