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Montevidéu tem o primeiro Museu do Carnaval do mundo. Mas o maior fica no interior paulista

4 de fevereiro de 2016

Comissão de frente preparada. Mestre-sala e porta-bandeira posicionados. Tudo certo na ala das baianas. O samba enredo começa a ser cantado. O Carnaval brasileiro é reconhecido mundialmente e virou destino certo para quem quer quatro dias de folia. Mas, apesar de toda a pompa do evento, o primeiro local criado para conservar a memória da festa não fica em solo nacional. O Museo del Carnaval está em Montevidéu, no Uruguai, a 2.281 km de distância de Brasília. O museu está completando 10 anos,  expondo objetos, figurinos, maquetes e fotos, que remontam a história e a origem da comemoração. O Uruguai se vangloria de ter o Carnaval mais longo do mundo, chegando a durar 40 dias. Há cerca de 10 anos,  numa viagem a Montevidéu, cheguei a acompanhar uma escola na principal avenida do Centro. Não sei como é hoje, mas o desfile não chegava aos tornozelos do nosso.

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O Museo del Carnaval, em Montevidéu, no Uruguai, foi inaugurado há 10 anos

No Uruguai, as festas começam em meados de janeiro e vão até março. O museu fica localizado próximo ao Mercado do Porto, um dos principais pontos turísticos da cidade, e a entrada custa suaves 65 pesos uruguaios (R$8,50). Descobri meio sem querer, procurando por um táxi. O galpão de 3.000 m² recebe uma média de 50 mil pessoas por ano. Durante o Carnaval, oficinas especiais são organizadas pelos monitores. Há algumas exposições temporárias e três mostras definitivas. A primeira apresenta o “candombe”, ritmo percussivo de origem africana, que desembarcou no país no século XVII.  Em Montevidéu, durante o Carnaval, o ritmo aparece no Desfile de Llamadas, nos bairros Sur e Palermo. A segunda mostra conta a história do Carnaval no país. A terceira e última é dedicada aos tablados, espaços comunitários que servem de palco para apresentações que misturam teatro, música e dança, também típicas dessa festa.

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Uma das exposições fixas é dedicada aos “tablados”, espaços comunitários que servem de palco para apresentações que misturam teatro, música e dança

No Brasil, o único Museu do Carnaval fica bem longe dos holofotes da Marquês de Sapucaí, no Rio; do Sambódromo do Anhembi, em São Paulo; e das avenidas movimentadas de Salvador. Ele está em Uchôa, município paulista de 9 500 habitantes, distante 463 km da capital. Carolino Camillo Netto, 55 anos, fundou o primeiro Museu do Carnaval do país – e, jacta-se ele, o maior do mundo. No pavilhão de 2 500 metros quadrados, Carolino estima ter 2 mil itens relacionados ao Carnaval, incluindo carros alegóricos inteiros.

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Carolino Camillo Netto fundou o primeiro Museu do Carnaval do país. No pavilhão, Carolino estima ter 2 mil itens incluindo carros alegóricos inteiros

Em 1993, o pai de Carolino, Sebastião Carolino Camillo, recebeu uma homenagem em um carro alegórico feito pelo próprio filho. “Como ele sempre foi muito devoto de Nossa Senhora Aparecida, fiz um carro da santa para ele desfilar no rodeio da cidade”, conta Carolino. Um ano depois, o farmacêutico bioquímico soube que aqueles que ajudassem a Prefeitura na montagem dos carros para o Carnaval ganhariam um dia de folga no trabalho. Carolino não teve dúvidas. “Quando fiz as esculturas, todos adoraram”, afirma. “Aí comecei a receber encomendas de escolas de samba de toda a região. Além de guardar suas próprias peças depois do desfile, Carolino passou a comprar as mais bacanas de outras agremiações. Em 2008, dois anos depois de ter se aposentado, Carolino resolveu abrir as portas para visitações. Sempre com horário agendado.
Serviço:
Museu do Carnaval de Uchoa
Rua Antônio Palmieri, 2, São Miguel, Uchoa
Tel.:(17) 3101-1150 ou (17) 99222-4130
E-mail: museudocarnaval@hotmail.com
A visitação acontece somente com agendamento

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