livro “Os contos e os vigários – Uma história da trapaça no BrasilNo “Você é Curioso?” do sábado passado, nós entrevistamos o professor José Augusto Dias Júnior, autor do livro “Os contos e os vigários – Uma história da trapaça no Brasil” (Editora Leya). Foram tantos casos relatados pelo entrevistado que os ouvintes também se entusiasmaram e enviaram mais histórias de golpes. Você já passou por algo assim?
Na Avenida Ipiranga, no centro de São Paulo, um casal disse que havia sido assaltado. Eu e um amigo demos vale transporte e bilhete de metrô para ajudá-los. Uns meses depois, eu estava passando pela Praça Ramos com minha irmã e o mesmo casal estava pedindo dinheiro para uma senhora. Eles pediram ajuda para nós. Acho que moça me reconheceu. Eu disse que já havia ajudado eles antes e fui embora. Tem o conto de empresa que faz você vender plano odontológico para conseguir emprego.
J. Learte Mesquita

Este golpe aconteceu há muito tempo, na Moóca, e conheço gente que o presenciou: um indivíduo entrou numa pastelaria e encomendou 100 pastéis. Em seguida foi a uma loja de calçados, em frente à pastelaria, comprou um sapato que custava, na época, Cr$ 50,00. Ele disse ao vendedor que havia prestado um serviço para o dono da pastelaria e que tinha Cr$ 100,00 para receber. Levou o vendedor até a porta da loja e gritou para o dono: “Olha, daqueles 100, você entrega 50 para ele, tá?”. Pegou o sapato e foi embora.
Flávio Christianini

Na década de 80, quando o vídeocassete ainda era um sonho de consumo para muita gente, tive um colega de trabalho que foi abordado por um camarada na porta de uma empresa de S. Caetano do Sul, oferecendo “um lote de aparelhos das Casas Bahia pela metade do preço”. Orientado pelo camarada, esse colega arrecadou o valor entre outros colegas interessados (felizmente, eu estava de férias, ou também teria caído). No dia marcado, ele se encontrou com o sujeito devidamente trajado como vendedor no departamento de eletrônicos da matriz da loja. Entregou-lhe o valor em dinheiro (uma fortuna) e foi aguardar a entrega dos produtos na portaria de expedição da loja na rua ao lado. Espera até hoje!
Luiz Almeida
Uma vez, em minha loja, um casal distinto me ofereceu um circulador de ar novo, alegando que havia ganho dois de presente de casamento. Eu perguntei pela nota fiscal, mas a moça disse que havia sido presente. Comprei o circulador. Aí, 20 minutos depois, parou uma viatura da policia civil em frente à minha loja com os dois algemados no banco de trás. O policial me pediu 500 reais para que eu não fosse preso por receptação… Puro golpe! Liguei na hora para um amigo delegado, ele conversou com o policial, que me devolveu o dinheiro e foi embora. Meu amigo explicou como o golpe funciona: os policiais colocam esse casal pra vender esse circulador em várias lojas durante o dia. Em seguida, o casal volta à delegacia, onde são algemados. Assim, esses maus policiais passam a achacar as vítimas.
Carlos Lima