Novo Livro O Guia dos Curiosos - Edição Fora de Série

Livro conta quais são os destinos preferidos das comissárias de voo – e inspira mulheres que gostam de viajar sozinhas

25 de agosto de 2015

A publicitária brasileira Flávia Soares Julius já viajou para 60 países e teve a oportunidade de estudar na Austrália na adolescência, o que lhe possibilitou a oportunidade de conhecer gente do mundo inteiro. Muitas de suas amigas se tornaram comissárias de voo e ela não esconde que sempre teve uma pontinha de inveja dessas mulheres que vivem de um lado para o outro. Pois esse pensamento serviu de fagulha para o e-book Os destinos das comissárias de voo – Guia com 50 viagens só para mulheres (com as melhores dicas das profissionais que mais viajam)“, que acaba de ser lançado. “Uma coisa é sugerir os meus destinos favoritos, e outra é levar em consideração o que as mulheres que mais viajam têm a dizer”, explica Flávia. “Elas respiram viagem”.
Flavia entrevistou 37 aeromoças e dá 10 motivos que valem o passeio nos principais destinos de mulheres ao redor dos cinco continentes. Flávia mora em Sidney, na Austrália, e trabalha como artista plástica. É mãe de três filhos pequenos e este é o seu segundo livro – o segundo também com dicas para mulheres que têm fascínio por viagens.

destino das comissárias

Cada roteiro conta com informações sobre o destino, dicas, impressões das 37 comissárias entrevistadas e dez motivos para se conhecer o local

Do que você gosta mais: viajar ou escrever?
Ah, eu viajei bastante na minha infância, mas sempre para os mesmos lugares – ou era para nossa casa de praia, no Jardim Suarão, em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, ou para a casa da minha avó, em José Bonifácio, perto de São José do Rio Preto (SP). Conhecia assim praias e fazendas, mas me faltava conhecer o mundo! Por isso todo o dinheiro que eu juntei trabalhando, até quando me casei, aos 32 anos, foi usado em viagens. Prefiro viagens longas, profundas e tocantes. Mas qualquer viagem vale a pena. Também sempre gostei de escrever. Quando não estou viajando, gosto de escrever, ler e pintar. Hoje eu moro na Austrália e tenho três filhos pequenos (8, 5 e 2 anos). Por isso, viajo menos. Ou melhor, viajo muito para o Brasil. Meu marido é tão viajante quanto eu, e a gente faz o possível para não deixar a peteca cair. A gente acampa (as crianças amam!), para em algum lugar no meio do caminho até o Brasil… As crianças não são obstáculos. A jornada fica um pouco mais limitada, lenta e mais cansativa, mas é muito legal mesmo assim. Eles notam coisas que a gente não nota.
Qual é o lugar mais curioso que você visitou?
Índia. É um lugar maluquíssimo, interessantíssimo, barulhentíssimo, coloridíssimo e todos os superlativos que você puder imaginar. A primeira coisa é abrir mão de qualquer obsessão por limpeza, a não ser que você só viva o cenário dos hotéis cinco estrelas. Segundo: abrir mão do conceito de privacidade. Milhares de pessoas, vacas, carros, elefantes, ônibus, e todos os cheiros irão rodear o visitante o tempo todo. É onde o inexplicável, o inaceitável e o incrível acontecem. Também é onde seus sentidos ficam mais aguçados. Tudo parece extremo ali, e tão loucamente mágico. Os homens olham para as mulheres de um jeito desconcertante e penetrante, é pegajoso. Mais do que nunca, usar roupas discretas é primordial. A ex-comissária de voo tcheca Lada Orsagova, uma das personagens do meu livro, é tão apaixonada pela Índia que acredita que viveu lá em outras vidas. Com a Índia geralmente é assim: ou a pessoa tem muita vontade de ir, ou fala que jamais quer pisar naquele solo. Quem pisa pode até falar que não gosta, mas as lições que se aprendem por lá são inesquecíveis. E quer saber? A maioria sofre, passa mal, tem diarreia, se irrita com a doideira, mas se afeiçoa à personalidade extraordinária do país.
Você encontrou alguma dificuldade para encontrar e entrevistar as comissárias de voo?
Algumas não puderam revelar o nome da companhia aérea, porque já aconteceu de comissárias serem demitidas por terem falado algo que a empresa não aprovou. Só algumas delas são minhas amigas ou conhecidas. Duas amigas bem próximas viraram comissárias. E uma terceira quase virou. Hoje ela trabalha como esteticista em cruzeiros pelo mundo afora, o que confesso que dá uma pontinha de inveja! Se eu não tivesse casado e tido filhos… Quem gosta muito de viajar atrai outros que também gostam. A única dificuldade para escrever foi que as respostas normalmente demoravam a voltar. Elas vivem sempre, literalmente, no ar! Tirando isso, elas foram super receptivas.
Por que o livro foi editado apenas no formato digital?
A maior vantagem é ter menos peso na bagagem. Quanto menos coisa você tiver que carregar melhor!
Seu primeiro livro foi dirigido a mulheres que viajam sozinhas. O segundo também. Por que fazer livros pensando apenas nesse público?
Porque os homens sempre viajaram mais que as mulheres. Muitas de nós ainda hesitam em viajar sozinhas, mesmo para lugares considerados extremamente seguros. Meu primeiro livro, Viaje Sozinha, escrito em parceria com a jornalista Maristela do Valle, serviu como um grande incentivador para a mulherada cair na estrada. E  agora “Os Destinos das Comissárias de Voo” é o passo seguinte. As mulheres se sentirão fortalecidas para seguir o caminho das comissárias. Dar um viés feminino ao livro foi muito gostoso, é como sentar com um grupo interessante de mulheres e conversar sobre viagens e coisas que a gente curte.

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O que aumentou, além do “wanderlust” que já incitava a publicitária, foi sua bagagem, que agora leva o marido australiano e seus três filhos

Por que as mulheres devem viajar sozinhas?
Toda mulher deveria viajar sozinha. É a melhor maneira de se descobrir, de se gostar, de ampliar o modo de encarar o mundo. Quem viaja sozinha acaba conhecendo muito mais gente, e isso é inspirador. E é tão bom ser livre para ir e vir, dormir quando quiser, comer o que desejar, se apaixonar por quem quiser, decidir a próxima parada… Muitas vezes viajar sozinha não é fácil. Há momentos de crises existenciais, mas, a cada crise vencida, você se sente muito bem. Só não seja teimosa: se as mulheres do país se cobrem da cabeça aos pés, vista-se discretamente. Caminhe de forma confiante, e faça o possível para se misturar à população local. Aprender algumas palavras chaves no idioma também ajuda, mostra que você é mais sabida do que eles pensam. Não viaje com nada precioso, e guarde passaporte, dinheiro e cartões de crédito numa bolsinha por dentro da roupa. Dicas como essas e outras são também citadas pelas comissárias de voo no livro. Esqueçam o medo. Escolham um destino, planejem um pouco, preparem as malas e acreditem que tudo vai dar certo.
Qual foi lugar mais bacana que você já conheceu?
Todo lugar do mundo tem muitas coisas legais para oferecer. Adoro aquelas viagens onde tudo dá errado – mas, em compensação, tudo dá certo no final, sabe? Quanto mais as coisas saem do contexto, melhor, a não ser que fique muito perigoso. É difícil escolher um lugar. Eu me senti no topo do mundo no Alasca. Receber lições de como se defender de um urso, acampar em lugares inóspitos, acordar no meio da noite para ver a aurora boreal. Mas eu poderia citar dezenas de outros exemplos tão bacanas quanto. Estão todos no livro.
Tem alguma história curiosa e engraçada ao mesmo tempo?
Eu e uma amiga estávamos na Tailândia.  Uma agência cobrou pelo visto de entrada na Malásia, que não existia. Nós estávamos a mais de 500 quilômetros de distância quando percebemos. Sem pensar muito, resolvemos voltar para reaver nosso dinheiro. O curioso é que fomos na delegacia, um policial nos acompanhou até a agência e mandou que eles devolvessem o dinheiro. Eles devolveram. E então nós fomos embora, inclusive o policial, que não prendeu ninguém. Foi meio surreal.

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