No começo deste ano, o Banco Central da Argentina lançou uma nova cédula de 50 pesos com um verso bastante curioso. A nota traz o mapa das Ilhas Malvinas, arquipélago que já foi motivo de guerra entre argentinos e ingleses na década de 1980.  Os ingleses têm a posse do território desde 1833. “Em países que têm conflitos por territórios, como a Argentina, esse tipo de representação é uma forma de propagar a ideologia de um governo”, explica o geógrafo e professor Tiago José Berg, autor dos livros Hinos de Todos os Países do Mundo e Bandeiras de Todos os Países do Mundo. “Muitos países evitam representar temas polêmicos em seu dinheiro, como territórios em disputa, mas representam suas fronteiras atuais para que as pessoas conheçam o país de alguma maneira, como uma aula de Geografia”, completa.

MALVUNAS EM NOVA NOTA DO DINHEIRO ARGENTINO

 

Berg afirma ainda que o dinheiro é uma boa forma de propaganda. “Todos os países independentes ou que buscam a independência tendem a criar uma série de símbolos. Pode ser um hino, uma bandeira, a instituição de uma língua oficial, a demarcação de território e também o dinheiro. São marcas que deixam claro para a população local e para os demais países que aquela nação deve existir e ser considerada soberana pelo mundo inteiro”.  O Blog do Curioso selecionou cédulas de alguns países que trazem mapas, como no caso da Argentina:
Na Armênia, a nota de 50 drams traz a figura do famoso compositor armênio Aram Khachathurian e o Monte Ararat (local onde se acredita que a Arca de Noé tenha parado depois do dilúvio e local de extrema importância histórica para o povo armênio), embora a montanha esteja hoje no território da Turquia.

Países que buscam sua independência, como é o caso da Somalilândia (que busca a independência da Somália), imprimem suas próprias notas na tentativa de convencer a sua população a adotar aquele dinheiro como válido e reivindicar o reconhecimento internacional como país independente. “No caso da Somália, o país está em ruínas desde a década de 1990, o que fez com que outras regiões, como a Somalilândia, criassem e organizassem seu próprio governo, com uma série de instituições e uma moeda local”, explica Tiago José Berg.

Cristóvão Colombo foi homenageado na colorida nota 1 dólar das Bahamas, já que as ilhas foram o primeiro ponto de parada nas Américas, em 1492, como informa também a cédula. No verso há a representação da frota de Colombo, além da rica fauna da ilha, com flamingos, iguanas e papagaios, há o mapa da nação.

A nota de 50 francos franceses, usada entre 1997 e 1999, trazia a imagem do aviador Antoine Marie Roger de Saint-Exupéry, autor do clássico infantil “O Pequeno Príncipe”, mostrando a localização da França na Europa. O verso traz a imagem do hidroavião Latécoére 28, construído em 1930 na França e usado pelo serviço aeropostal francês, que também faz parte do enredo do livro infantil.

A nota de 1 lira do Chipre mostra o mapa da ilha no centro. O país é praticamente dividido ao meio por cipriotas gregos (ortodoxos) e cipriotas turcos (muçulmanos). Assim, o mapa é uma forma de tentar criar uma unidade nacional, tão importante que aparece também na bandeira.

No Brasil, há uma série de tentativas de se mostrar o território nacional por meio de mapas e pontos turísticos. O verso das notas de 100.000 réis, que circularam entre 1925 e 1936, traziam a imagem do Rio de Janeiro, a então capital federal.

A cédula de 500 cruzeiros (1972) estampou os tipos étnicos do Brasil na frente e as etapas de evolução do território nacional em seu verso.

O verso das notas de 100.000 cruzeiros mostrava a transformação de Brasília, a nova capital do país. Já a nota de 10.000 cruzeiros fazia menção à Ruy Barbosa e seu discurso na Conferência da Paz em Haia (1899) com a imagem do mundo, recordando a projeção internacional do brasileiro.