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A explicação para os sotaques brasileiros

26 de junho de 2020

Ao longo dos cinco séculos que se seguiram à descoberta do Brasil, povos nativos e imigrantes, assim como geografia, costumes, atividades culturais, políticas e sociais, foram aos poucos moldando sotaques — pronúncia característica de um país, de uma região etc. — e termos que não apenas diferenciaram o português brasileiro do de Portugal, mas ainda geraram inúmeras peculiaridades regionais da língua. Isso explica as diferenças nos falares nordestinos, mineiros, nortistas, gaúchos, paulistas e cariocas.

Já na chegada dos lusitanos, inúmeras línguas indígenas — com destaque para o tupi — influenciaram os colonizadores, que precisavam encontrar uma maneira de se comunicar com os nativos para poder catequizá-los. Embora fosse próprio das tribos que habitavam a costa brasileira, o tupi exerceu influência em todo o território nacional e em especial na região Norte brasileira. Também nessa região ocorreu a influência de outros falares indígenas.

Apesar de berço do tupi, a costa brasileira incorporou inúmeros aspectos africanos, por causa da intensa ocupação negreira na região. O litoral nordestino, em especial, recebeu muito do iorubá (falado por escravos nigerianos), do quimbundo e umbundo (dos angolanos) e do quicongo (de nativos do antigo Zaire). Estima-se que em cerca de 300 anos (a partir de meados do século XVI) mais de 3 milhões de africanos — falantes de mais de 300 línguas — foram trazidos para o país. Entre outras coisas, influenciaram na pronúncia, entonação, cadência e léxico do idioma. Calcula-se que a língua portuguesa tenha cerca de 2.500 palavras de origem africana.

No Sudeste, as influências foram bem diversificadas.

Um pouco antes disso, Minas Gerais, no tempo da mineração, assistiu a mudanças de pronúncia em sua fala ao acolher forasteiros não só de Portugal, mas dos quatro cantos do Brasil. Além de essa mescla ter composto um sotaque que misturava características de tanta gente, gerou rotas comerciais que contribuíram para a unidade da língua portuguesa no Brasil.

Ainda dos portugueses, alguns povos do Sul herdaram o “tu”, que posteriormente se somou aos falares de muitos imigrantes europeus (especialmente alemães). Em São Paulo, as grandes mudanças ficaram por conta dos italianos, dos asiáticos e de brasileiros de todo o país que migraram para a região a partir do século XIX, desvinculando a fala da capital do “r” puxado do interior.

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