Está escrito na embalagem: “Leite de Colônia – Original desde 1948”. Tem alguma coisa errada aí. Vários anúncios publicados em jornais e revistas mostram que o Leite de Colônia existia muito tempo antes.

A invenção do Leite de Colônia é atribuída ao médico e farmacêutico cearense Arthur Pereira Studart em 1948. Só que o produto foi criado pelo pai de Arthur. O nome dele: Carlos Guilherme Gordon Studart, nascido em Fortaleza, no ano de 1862, sexto filho de um imigrante inglês.

Carlos formou-se em Farmácia em Salvador, tentou seguir a carreira de militar (sem sucesso) no Rio de Janeiro e voltou a Fortaleza para abrir a Farmácia Studart . Em 1898, trocou Fortaleza por Manaus e abriu ali outra farmácia com o mesmo nome. Foi em Manaus nos primeiros anos do século XX que nasceu o Leite de Colônia, que tinha o nome claramente inspirado no sucesso da Água de Colônia.

No início, o Leite de Colônia servia para tudo. As propagandas diziam: “O mais prodigioso de todos os remédios até hoje descobertos. A ciência maravilhosa descobre o remédio soberano para todas as moléstias de pele, desde a pequena mancha que diminui a beleza às grandes erupções que deterioram a saúde. Tira as manchas do rosto, sardas, cravos e espinhas, fazendo voltar a maciez da pele. Faz desaparecer o mau cheiro das axilas e o suor fétido dos pés”. De olho no público masculino, que adorou o Leite de Colônia como loção após barba, a publicidade anunciava: “Evita as moléstias transmitidas quase sempre pelas navalhas não desinfetadas”.

Arthur começou a trabalhar na farmácia da família em 1920. O primogênito levou os Laboratórios Leite de Colônia para o Rio de Janeiro em 1931. Pode ser que 1948 tenha sido o ano de registro do produto.

Carlos Studart morreu em 1965, aos 102 anos de idade. Arthur morreu em 1969, com 82 anos.