As lendas da Grécia Antiga falam sobre a existência de Atlântida, uma ilha gigantesca que teria existido no oceano Atlântico, a oeste do estreito de Gibraltar (que separa a Espanha de Marrocos). Os arquipélagos de Açores, Madeira e Canárias seriam vestígios desse continente. Estudos do fundo do oceano mostram que nunca houve continente algum ali.

A descrição de Atlântida foi feita pelo filósofo Platão. Em seus diálogos Crítias e Timeu, ele conta que o reino teria existido 9 mil anos antes de seu tempo — ou seja, há quase 12 mil anos —, e ficava em uma ilha maior que a Ásia e a Líbia juntas. Ricos e sábios, os atlantes conseguiram manter a paz por várias gerações, mas, para Zeus, o pai de todos os deuses da mitologia grega, tornaram-se orgulhosos demais e mereceram terremotos e inundações que afundaram a ilha.

Desde a Antiguidade, pessoas juraram que o reino perdido havia existido. No entanto, a teoria mais aceita é a de que Platão se inspirou na triste história de uma ilha do mar Egeu, Thera, na própria Grécia, e que hoje é chamada de Santorini. Ela fica a 120 quilômetros de Creta. De acordo com escavações arqueológicas iniciadas no final do século XIX, Thera teria sido destruída por uma grande erupção vulcânica, há cerca de 3.650 anos — 8 mil anos depois do que o filósofo descreveu.

A existência da Atlântida resistiu ao tempo, mas não passava de uma história até o final do século XIX, quando o americano Ignatius Donnelly lançou a obra Atlantis, the Antediluvian World (Atlântida, o Mundo Antediluviano). Fascinado pela lenda, ele acreditava que Platão teria registrado uma catástrofe natural que realmente aconteceu. Após seu best-seller, surgiram vários livros sobre a cidade perdida.