As misteriosas lendas da Princesa Anastácia

4 de junho de 2021

Estamos acostumados a ouvir histórias desde criança. E, em grande parte delas, há uma princesa que sofre alguma ameaça, corre risco, precisa de ajuda. É o que prende nossa atenção e aguça nossa imaginação. Existe uma princesa, cuja história mistura ficção com realidade. É a princesa Anastácia, da Rússia. Aí tem história, conta o professor Warde Marx.

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Num processo histórico, que se desenrolou entre março e outubro de 1917, aconteceu o que conhecemos como Revolução Russa. Em março foi deposta a monarquia, pondo fim a uma dinastia que governava o país muito duramente desde 1613. Com avanços e recuos ao longo do ano, o processo culminou com a vitória do partido bolchevista (significa “partido da maioria”), que mais tarde adotou o nome de Partido Comunista. Essa vitória provocou uma guerra civil. Para se ter uma ideia do caos instalado no país, o campo de batalha foi tomado pelos exércitos vermelho (bolchevique), branco (czarista), verde (nacionalista), preto (anarquista), azul (separatista), além de forças estrangeiras (como as britânicas, americanas e japonesas) que queriam forçar os russos a permanecer na Primeira Guerra Mundial. A coisa foi de 1917 a 1923, embora em 1921 a vitória bolchevista estivesse praticamente assegurada e o Estado Soviético pode ser instalado.

Nas incertezas da Guerra Civil, era preocupante o fato de que a família imperial fosse um símbolo de luta importante para muitas forças no conflito, como os brancos e os verdes. Nas idas e vindas do conflito, o perigo dos Romanov serem libertados e reconduzidos ao poder atrapalhava demais.

Na madrugada de 17 de julho de 1918, a família foi acordada e levada ao porão da casa de campo onde estava, em Yekaterimburgo, cidade perto dos montes Urais, a quase 1.700 km de Moscou. Lá, foram fuzilados pelos bolcheviques e os corpos, queimados e enterrados em locais diferentes. Além de alguns agregados muito importantes, morreram o ex-czar Nicolau, a imperatriz Alexandra, o príncipe Aleksei e as filhas, as duquesas Olga, Tatiana e… Anastácia.

Começou a circular a informação que algumas vítimas não morreram no fuzilamento – precisaram ser mortas a golpes de baioneta. Como os corpos de quase todos foram encontrados, menos o de Anastácia, as especulações pegaram fogo. A moça de 17 anos teria sensibilizado um jovem soldado, que a teria deixado fugir. A partir de 1919, pelo menos uma dúzia de moças tentaram se fazer passar por Anastácia.  O próprio governo soviético precisou dizer aos alemães que as meninas, filhas do czar, estavam vivas, pois elas tinham sangue alemão, e não eram herdeiras do trono, como Aleksei. A possível sobrevivência de Anastácia tem sido alvo de filmes, peças de teatro, músicas, artigos, programas de TV e até a famosa animação da Disney.

Embora as lendas sejam interessantes, a história deve prevalecer: em 2009 foram publicados os resultados de testes de DNA, realizados pelos governos russo e americano, dando conta de que as covas foram encontradas e todos os membros da família real identificados. Foi o fim do mistério da Princesa Anastácia Nikolaevna Romanov.

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