Portugal ameaçou enviar uma frota às terras descobertas por Colombo, na América, e a Espanha lhe propôs discutir um acordo sobre as terras a descobrir. Essa foi a origem do Tratado de Tordesilhas (7 de junho de 1494). Duarte Pacheco Pereira, nomeado Cavaleiro da Casa Real, participou como negociador português. Especialista em geografia e cosmografia, reivindicou para Portugal as terras que fossem descobertas a até 370 léguas a oeste de Cabo Verde.

Historiadores sustentam a hipótese de Duarte Pacheco ter sido o verdadeiro “descobridor do Brasil”, em 1498, viajando em segredo. O único registro desse feito é um trecho meio obscuro do livro “Sobre os Mares do Mundo”, escrito pelo próprio Pacheco entre 1505 e 1508. Nesse relato, ele conta que, em 1498, explorou a “parte ocidental” do Oceano Atlântico, encontrando “uma grande terra firme, com muitas ilhas adjacentes” e coberta de “muito e fino brasil”. Isso reforça a tese de que a viagem de Pedro Álvares Cabral foi uma operação secreta arquitetada pela Coroa portuguesa, dois anos depois da verdadeira descoberta, para formalizar a posse das terras descobertas.