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Os soldados brasileiros do nazismo

13 de maio de 2021

Dia 8 de maio é a data do final da Segunda Guerra na Europa. Momento de homenagear todos os brasileiros que foram ao Velho Continente, lutar contra o nazismo, certo? Não!, afirma o professor Warde Marx. Aí tem História! Os brasileiros têm muitos motivos de orgulho: os bravos pracinhas foram à luta na Itália para enfrentar o nazi-fascismo. Só que nem todos os jovens brazucas que lutaram na Europa estavam contra Adolf Hitler. Infelizmente, precisamos lembrar de soldados, que, antes de o Brasil declarar guerra ao Eixo (Itália, Alemanha e Japão), atravessaram o Atlântico e meia Europa para morar na Alemanha e acabaram lutando sob a bandeira com a suástica.

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Quem eram esses caras e por que, raios, a gente nunca ouviu falar deles?! A coisa estava bem feia do lado de lá do Atlântico e, assim como muitos portugueses, espanhóis e italianos, também alemães e austríacos vieram para o Brasil, entre o fim do século XIX e o comecinho do XX, buscando uma chance de vida melhor. Passadas a Primeira Guerra e a Gripe Espanhola, ali pelos anos 1930, a história era outra. Antes da eclosão da Segunda Guerra, a Alemanha estava muito bem colocada no ranking das nações, era um país que apostava em tecnologia e prometia um belo futuro. Então, voltar para a “Vaterland”, a pátria germânica, era algo incentivado e muito bem recebido. Muitas famílias teuto-brasileiras, ou seja, de origem alemã, mas já com filhos brasileiros, toparam e retornaram. Em alguns casos, só os jovens rapazes foram, para concluir estudos e voltar mais bem qualificado ao Brasil e com plena cidadania germânica. Vale dizer que havia um Partido Nacional Socialista – ou seja, partido nazista – do Brasil. Era o maior partido nazista fora da Alemanha! Os rapazes eram submetidos a exames médicos que os qualificassem a servir nas forças armadas alemãs.

Chegou setembro de 1939 e começou a Guerra. Não se sabe quantos brasileiros lutaram pelos nazistas. Temos o caso de um rapaz que, designado para lutar na Itália, pediu para não ir, pois teria que, eventualmente, lutar contra seus “irmãos brasileiros”. Há também o caso de dois rapazes de uma mesma família que estavam um a serviço da FEB (Força Expedicionária Brasileira) e outro do Wehrmacht (exército alemão). Os demais , a maioria era muito jovem, só foram convocados para combate nos últimos tempos do conflito.

A participação brasileira nesse conflito ajudou a consolidar a identidade de nossos patrícios. A partir de 1942, quando declaramos guerra ao Eixo, proclamava-se “quem nasceu no Brasil ou é patriota ou é traidor!”. Muitos jovens de origem alemã correram a se alistar na FEB. Alguns de nossos maiores heróis tinham sangue alemão: sargento Max Wolff Filho e o tenente Ary Weber Rauen. Enfim, essas coisas de guerra; de separação de famílias, de povos, de irmãos. Coisas muito tristes.

Sargento Max Wolff Filho

Colhi grande parte dessas informações numa entrevista da “Deutsche Welle”, uma excelente empresa de comunicação alemã, com o professor Dennison de Oliveira, dos cursos de graduação e pós-graduação no Departamento de História da Universidade Federal do Paraná e orientador de pesquisas na área de História da Secretaria Estadual da Educação do Paraná, autor de uma pesquisa sobre o tema.

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