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O Brasil já teve campos de concentração?

15 de julho de 2020

Sim. Durante a Segunda Guerra, existiram três campos de concentração para nazistas — dois no vale do Paraíba (SP) e um em Pernambuco. Localizado  no município de Araçoiaba, a 60 quilômetros do Recife, o Campo Chã de Estevam foi criado em 22 de novembro de 1942 e funcionou até 1945, nas terras da Fábrica de Tecidos Paulista, da família Lundgren, fundadora das Casas Pernambucanas. Ao todo, os Lundgren tinham cerca de cem funcionários alemães e italianos, contratados para operar as máquinas importadas. Sabe-se que foram confinados pelo menos trinta estrangeiros e seus familiares, incluindo suas mulheres e filhos brasileiros. O campo de concentração pernambucano era muito diferente dos campos para judeus na Europa. Não há registro de que alguém tenha morrido ou sofrido maus-tratos por lá.

Os confinados moravam com as famílias em pequenas casas de alvenaria com três cômodos. Recebiam visitas e tinham direito a manter correspondência com parentes na Alemanha. Continuavam até ganhando metade do ordenado de 2 contos de réis e iam à feira sem vigilância ostensiva.

Os japoneses e a Ilha Anchieta

Entre 1946 e 1948, 172 imigrantes japoneses ficaram presos na Ilha Anchieta em Ubatuba, litoral de São Paulo. A maioria não tinha cometido qualquer delito. Eram apenas japoneses. Durante e logo depois da Segunda Guerra, houve casos de tortura e perseguição aos imigrantes nipônicos, pois o Brasil ficou ao lado dos Aliados no conflito. Os disciplinados prisioneiros conseguiram melhorar as condições do lugar. Tanto que os japoneses eram autorizados a andar pela ilha e organizaram até campeonatos de sumô.

O 23 de setembro foi escolhido como “Dia em homenagem aos imigrantes japoneses presos na Ilha Anchieta”. Em 2012, o diretor Mario Jun Okuhara lançou o documentário “Yami no Ichinichi – O Crime que abalou a Colônia Japonesa no Brasil”, gravado na ilha Anchieta. O filme traz a saga de Tokuichi Hidaka, que, em 1946, aos 19 anos, foi um dos assassinos do coronel Jinsaku Wakiyama, em crime atribuído ao grupo Shindo Renmei (Liga dos Caminhos dos Súditos). Hidaka entregou-se à polícia e cumpriu 15 anos de prisão naquele presídio.

Leia também:
Os campos de concentração de Auschwitz-Birkenau
Curiosidades sobre o Brasil na Segunda Guerra Mundial

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