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20 curiosidades sobre o Brasil na Segunda Guerra Mundial

17 de julho de 2020
  1. Até 1942, o Brasil estava dividido. Oswaldo Aranha, ministro das Relações Exteriores, apoiava os Aliados. Enquanto isso, o ministro da Guerra, general Góis Monteiro, e o chefe da Polícia Política, Filinto Müller, preferiam os nazistas. O presidente Getúlio Vargas negociava seu apoio com os dois lados. Em 28 de janeiro de 1942, depois do final da Conferência de Chanceleres Americanos, o Brasil rompeu relações com o Eixo.
  2. Em março de 1941, no Mar Mediterrâneo, o navio brasileiro Taubaté foi metralhado por aviões alemães. Foi a primeira de uma série de ataques alemães a embarcações brasileiras.
  3. Os 25.334 soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) deveriam inicialmente combater na África, mas foram enviados para a Itália. Desse total, apenas 111 (sendo 67 enfermeiras) viajaram de avião. O restante embarcou no porto do Rio de Janeiro em navios americanos, em quatro diferentes datas. A primeira leva (5.081 soldados) saiu no dia 2 de julho de 1944 no navio de transporte de tropas americano W. A. Mann. Chegou no porto de Nápoles, na Itália, no dia 16, sob o comando do general João Batista Mascarenhas de Moraes.
  4. O major-brigadeiro Othon Correia Netto realizou 57 missões bem-sucedidas, mas na 58ª, quando chefiava uma esquadrilha num ataque à ponte Casarsa, na Itália, seu caça foi derrubado. Era dia 26 de março de 1945. Othon foi capturado e mantido num campo de concentração nazista na Alemanha até 29 de abril.
  5. A campanha da Itália durou 239 dias (entre setembro de 1944 e maio de 1945). Os brasileiros chegaram a enfrentar temperaturas de 20 graus negativos sobre os Apeninos. Tiveram até aulas de esqui e ganharam capotes brancos para se camuflar na neve.
  6. A FEB foi encarregada de tomar o monte Castello. As quatro primeiras tentativas (24 e 25 de novembro, 29 de novembro e 12 de dezembro de 1944) foram malsucedidas. O monte Castello só foi tomado em 21 de fevereiro de 1945, com um ataque planejado pelo tenente-coronel Humberto de Alencar Castelo Branco (futuro presidente do Brasil) e a ajuda de uma tropa de elite do Exército americano, especialista em sobrevivência em regiões altas. O pelotão brasileiro chegou ao topo do monte Castello às 18 horas, e contabilizou 12 mortos.
  7. No dia 14 de abril de 1945, a FEB participou de sua maior batalha: a tomada da cidade de Montese. Libertados pelos brasileiros, os habitantes batizaram uma de suas praças de piazza Brasile.
  8. No final de abril de 1945, em Fornovo di Taro, junto à cidade de Parma, a FEB conseguiu a rendição de um total de 15 mil homens da 148º Divisão de Infantaria alemã, comandada pelo General Otto Fretter Pico, e da Divisão Itália, do General Mario Carloni.
  9. Os soldados brasileiros voltaram para casa entre 6 de julho e 19 de setembro de 1945. O primeiro grupo desembarcou no Rio de Janeiro em 18 de julho.
  10. Alguns críticos diziam que seria mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na Guerra. Pois o Brasil entrou na guerra e a Força Expedicionária Brasileira escolheu a “cobra fumando” como símbolo.
  11. Senta a Pua: A unidade principal era o 1º Grupo de Aviação de Caça (GAC), equipado com aviões P47 Thunderbolt e denominado por seus integrantes de “Senta a Pua”. Tinha um efetivo de 374 militares e 28 aviões. Teve 16 aviões abatidos, 5 pilotos foram mortos em combate e 5 caíram prisioneiros.
  12. O comediante Stan Laurel, o Magro da dupla O Gordo e o Magro, lutou ao lado dos brasileiros em monte Castello. Ele era responsável pela “fábrica de fumaça”, uma engenhoca que mantinha o local da batalha sempre nublado. Desse modo, mesmo do alto, os alemães tinham dificuldade em acompanhar a movimentação das tropas inimigas.
  13. Piloto da campanha presidencial de Juscelino Kubitschek, o capitão-aviador Alberto Martins Torres é considerado o maior piloto da história da aviação brasileira. Participou de 100 missões de guerra na Itália e de 76 missões de patrulhamento da costa brasileira. Ele era o piloto do avião Catalina, de onde foram jogadas as quatro bombas que afundaram um submarino alemão U-199, no Rio de Janeiro, em 31 de julho de 1943. O submarino iria atacar um comboio de brasileiros e americanos que saíam do Rio. Alberto jogou bóias para os 12 sobreviventes dos 66 tripulantes do submarino alemão. Estes 12, incluindo o comandante do barco, ficaram presos em Recife e foram os únicos prisioneiros alemães de operações de guerra das Forças Armadas brasileiras em oceanos.
  14. O 2º tenente aviador Marcos Coelho de Magalhães, ao pular de pára-quedas depois da derrubada do seu avião, quebrou os dois tornozelos e se tornou prisioneiro de guerra. Virou diretor de um hospital alemão na Itália. Foi nomeado graças a um ato heróico.
  15. Os partisans italianos, da resistência contra Mussolini, invadiram o hospital e Coelho impediu que os enfermeiros, feitos depois prisioneiros de guerra, fossem mortos.
  16. Foram 9 divisões alemãs que lutaram contra a FEB. Italianas, foram 3.
  17. O número de prisioneiros inimigos capturados pela FEB é de 20.573 (2 generais, 892 oficiais e 19.679 praças). Foram também 35 soldados brasileiros aprisionados pelo inimigo, além de 457 mortos (13 oficiais e 444 praças), 1.557 feridos por armas de guerra e 658 feridos fora das linhas de combate.
  18. Batalhas vencidas pela FEB: Massarosa, Camaiore, monte Prano, monte Acuto, San Quirico, Gallicano, Barga, monte Castello, La Serra, Castelnuovo, Soprassasso, Montese, Paravento, Zocca, Marano Su Parano, Collecchio e Fornovo.
  19. A Força Expedicionária Brasileira apreendeu 80 canhões, 1.500 viaturas e 4 mil cavalos dos inimigos.
  20. No áudio a seguir, o professor Warde Marx conta a história do cabo Marcílio Luiz Pinto, o primeiro e único soldado brasileiro a receber uma medalha americana por bravura. A honraria Silver Star foi entregue pelo general Mark Clark em 16 de novembro de 1944:

Leia também: O Brasil já teve campos de concentração?

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