Escravidão no Brasil e as suas curiosidades1 -Os portugueses iniciaram a escravização de negros no século XV, quando conquistaram a costa africana. Trocavam armas, pólvora, tecidos, espelhos, aguardente e fumo com os chefes tribais por escravos. Graças ao bom trabalho dos africanos na produção de açúcar em São Tomé e na Ilha da Madeira (outras colônias portuguesas), os senhores de engenho do Brasil exigiram a vinda de escravos negros para as suas fazendas.

2 – Não existem números confiáveis sobre a quantidade de negros que entraram no Brasil como escravos. Os primeiros navios negreiros foram trazidos pelo português Martim Afonso de Sousa, em 1532. A contabilidade oficial estima que, entre essa data e 1850, algo como 5 milhões de escravos negros entraram no Brasil, mas alguns historiadores calculam que pode ter sido o dobro. Milhares de escravos morreram nos navios negreiros, que foram apelidados por essa causa de “tumbeiros”.

3 – Eles vieram para desempenhar todas as funções possíveis: dos trabalhos domésticos aos agrícolas, dos serviços leves aos mais pesados.

4 – Hoje, graças a alguns poucos registros históricos e à herança cultural deixada aos seus descendentes, é possível traçar a origem dos negros brasileiros em três grandes grupos: os da região do atual Sudão, em que os iorubas, também chamados nagôs, predominam; os que vieram das tribos do norte da Nigéria, a maioria muçulmanos de hábitos refinados, chamados no Brasil de malês ou alufás; e, por fim, o grupo dos bantos, capturados nas colônias portuguesas de Angola e Moçambique.

5 – A vergonhosa escravidão foi tão duradoura que o Brasil, até hoje, guarda a triste marca de ter sido o último país do Ocidente a abolir a escravidão, em 13 de maio de 1888. Também não há como calcular o impacto desses contingentes na população branca aqui estabelecida. Não temos com exatidão o número de habitantes do Brasil no período colonial. Estima-se, por exemplo, que no início do século XIX, excetuando-se os indígenas, a população devesse estar por volta de 2,5 milhões de pessoas, dos quais 2/3 seriam negras ou mestiças.

6 – A Festa de Nossa Senhora do Rosário, a padroeira dos escravos do Brasil colonial, foi realizada pela primeira vez em Olinda (PE), no ano de 1645. A santa já era cultuada na África, levada pelos portugueses como forma de cristianizar os negros. Eles eram batizados quando saíam da África ou quando chegavam ao Brasil.

7 – Foram criadas aqui Ordens do Rosário dos Pretos, confrarias religiosas fundadas por escravos evangelizados. Na cidade de Serro, em Minas Gerais, acontece a maior de todas as festas, na primeira semana de julho, desde 1720. A comemoração é aberta com o som triste da “caixa de assovios”, uma banda formada por dois tambores e duas flautas, para lembrar o sofrimento dos escravos. Grupos se fantasiam em homenagem à lenda de Nossa Senhora do Rosário. Ela saiu do mar e, ao ser chamada por índios, não se mexeu. O mesmo aconteceu com marinheiros brancos. A santa só atendeu aos escravos, que tocaram bem forte os seus tambores. Foi assim que ela veio para a terra.

8 – Com exceção de países africanos, o Brasil tem a maior população negra do mundo.

9 – Após a independência do Brasil, em 1822, uma das primeiras medidas do governo foi proibir que alunos negros frequentassem as mesmas escolas que os brancos. Um dos motivos apontados é que temiam que eles pudessem transmitir doenças contagiosas.

10 – Os negros nunca tiveram uma atitude passiva diante da escravidão. Muitos quebravam ferramentas de trabalho e colocavam fogo nas senzalas. Outros cometiam suicídio, muitas vezes comendo terra. Tinha ainda quem se entregava ao banzo, grande tristeza que causava falta de apetite e levava à morte por inanição. A forma mais comum de rebeldia, no entanto, era a fuga.

11 – O movimento abolicionista tinha mais de 60 anos quando a Lei Áurea foi assinada, em 1888. Mobilizava muitos intelectuais da época, como escritores, políticos, juristas, e também a população de uma forma geral.

12 – Em 1823, dom Pedro I chegou a redigir um documento defendendo o fim da escravidão no Brasil, mas a libertação só ocorreu 65 anos depois.

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