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Como surgiu o hábito de bater palmas?

30 de abril de 2020

Não dá para cravar exatamente o momento de criação da ideia de aplauso. Mas se sabe que os primeiros registros vêm de longa data. Por exemplo, na Roma Antiga, quando aconteciam as batalhas entre gladiadores no Coliseu sabe-se que os aplausos já aconteciam. E o mais interessante é que eles não aconteciam só como uma forma de satisfação diante de um espetáculo da violência, mas como um jeito de instigar a luta, porque o barulho das palmas se confundia com a função dos corpos se digladiando. Então aí os aplausos já funcionavam como uma forma de comunicação entre os lutadores escravizados e audiência, que de certa forma também podia participar do acontecimento. Assim como no Teatro Antigo era habitual que, no final de uma peça, os atores dissessem em latim “adeus e aplausos”. Então as palmas comunicavam a despedida da plateia com o acontecimento artístico. Nesses dois casos, tanto no caso dos gladiadores quanto no caso dos atores, era importante convocar a plateia a fazer parte do acontecimento. Então, de algum modo, essa comunicação criava uma participação em um certo grupo social. 

Outra curiosidade é que, no século 17, no declínio do Império Romano, o Imperador Heráclito foi se encontrar com o Rei Bárbaro, só que o exército já estava em decadência, então o Imperador resolveu contratar um grupo de homens que iam ao seu redor batendo palmas. O objetivo dele era produzir uma intimidação a partir do barulho, como se as palmas pudessem recriar os sons da violência da natureza e, de algum modo, conceder a aquele exército em declínio um certo poder. 

É interessante pensar que a ideia dos batedores de palmas profissionais, aqueles que são contratados para aplaudir, não vem da arte, mas vem da guerra. E, atualmente, o aplauso acontece como uma convenção social, um certo acordo, uma manifestação geralmente coletiva diante de uma exibição que pode ser artística, como uma peça de dança, ou política, como um comício. Ou seja, a gente aplaude ao final de uma palestra, mas o importante é que as palmas sempre representam que o indivíduo faz parte de um grupo. Pesquisas, inclusive, indicam que o aplauso significa muito mais a indicação de ser membro de um determinado grupo social, do que a satisfação específica ou admiração diante de algo que se vê, ou que se observa.

Para se pensar de onde surgiu o aplauso é importante entender que ele sempre está em uma relação histórica entre três grandes áreas: a arte, a política e a comunicação.

Resposta da Fernanda Perniciotti, doutora em Comunicação e Semiótica e crítica de dança da Folha de S. Paulo.

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