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A história de nossos gestos

27 de abril de 2020

Aceno dos surfistas

No Havaí, terra natal do surfe, havia um rei que saudava as pessoas dando um tchau. O problema é que em uma das mãos ele tinha apenas os dedos polegar e mínimo. Por isso o aceno com apenas esses dois dedos virou saudação entre os surfistas.

Aperto de mão

O aperto de mão era a forma pela qual um deus concedia seu poder a um dirigente terrestre. Isso está gravado em diversos hieróglifos egípcios, em que o verbo dar é representado por uma única mão estendida. Os historiado- res acreditam que o homem primitivo, que andava sempre armado, estendia a mão para mostrar a alguém que não portava armas e desejava a paz. Mas o aperto mesmo é um costume que teve origem nos duelos com espada na Idade Média. Os adversários, por exigência do regulamento, eram obrigados a fazer uma saudação especial. O cumprimento antes do início da luta era um abraço. Com medo de um golpe traiçoeiro, os rivais decidiram mudar o protocolo e trocaram o abraço por um forte aperto de mão.

Aplauso

O aplauso existe há cerca de 3 mil anos. No princípio, era um gesto religioso, popularizado em rituais pagãos: o barulho deveria chamar a atenção dos deu- ses. Segundo a mitologia, o gesto foi inventado por Crotos, filho do deus Pan e de Eufeme, ama de leite das musas, para mostrar sua admiração por elas. O nome Crotos vem de kroto, palavra grega que representa o barulho das palmas. Depois disso, o hábito passou para o teatro clássico grego. O costume chegou à Roma pré-cristã, onde se tornou comum nos discursos populares.

Assobiar

Fazer um som agudo comprimindo o ar entre os lábios. Na Antiguidade, o assobio podia ser um aviso ou um insulto. Com o tempo, a intenção do gesto tornou-se mais amigável. A palavra, em português, veio do latim assibilare.

Banana

De acordo com Luís da Câmara Cascudo, esse gesto obsceno representaria o órgão reprodutor masculino e, a mão fechada, o ato de introduzi-lo no ânus de quem se está xingando. Dar uma banana é um gesto comum também — e igualmente ofensivo — em Portugal, onde é chamado de manguito ou mangarito, na Espanha, na Itália e na França.

Bater na madeira

Os três toques na madeira servem para espantar maus agouros. É mais uma superstição romana que permaneceu no tempo e que veio da Europa para  o Brasil. Batia-se na mesa para invocar os Lares, deuses domésticos que protegiam a família.

Bater no bumbum

Em sua origem, o gesto não representa castigo, mas provocação (como em uma cena de batalha entre escoceses e ingleses no premiado filme Coração valente), sinal de desprezo. Seu primeiro registro data do século XIII. No México do século XVI, a atitude desencadeou até uma guerra.

Cafuné

Gesto de coçar de leve a cabeça de uma pessoa para fazê-la dormir. O hábito e a palavra vieram com os escravos angolanos. O kifune consistia em fingir que se estava catando piolhos (no original, o termo significa “torcer”), e até se imitavam estalos para simular o esmagamento do parasita inexistente!

Continência

Apareceu na Idade Média e tem origem no gesto que os cavaleiros faziam para se identificar entre si. Eles seguravam as rédeas do cavalo com a mão esquerda e usavam a direita para levantar a viseira da armadura, podendo ver quem se aproximava.

Cuspir na cara

Representa um insulto extremo, já que o rosto seria um reflexo da figura divina. O próprio Evangelho registra que, durante a flagelação, os soldados roma- nos cuspiam no rosto de Jesus.

Dedo médio

O famoso sinal do dedo médio erguido é uma das piores ofensas. O costume nasceu entre os antigos romanos, e um dos maiores divulgadores do sinal foi o imperador Calígula. Ao apresentar a mão para ser beijada, ele estendia o dedo médio, querendo dizer: “Beije meu pênis”. O povo era obrigado a beijá-la mesmo assim. O sinal também era usado pelos homossexuais romanos como um convite para outros homens como sinal de rendição pelos soldados em batalhas.

Esfregar o dedo

Esfregar a ponta do polegar no dedo indicador virou sinônimo de dinheiro. O gesto, que chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses, imita o ato de contar moedas.

Figa

A figa feita com os dedos médio e indicador cruzados vem dos tempos da perseguição aos cristãos, entre os séculos I e IV. O gesto era uma tentativa de fazer com os dedos uma cruz sem atrair a atenção dos pagãos. Já a figa feita com o polegar era usada pelos antigos romanos e etruscos como amu- leto que simbolizava o ato sexual. Em italiano, seu nome é manofico, junção das palavras “mão” e “figo” — fruta que esses povos relacionavam com a vagina. O polegar era uma metáfora ao pênis. A figa representa a forma do pé de coelho, animal relacionado com a fertilidade e a abundância.

Mãos ao alto

Hoje, nenhum assaltante manda mais a vítima erguer as mãos na rua: chamaria a atenção. Mas tanto no crime quanto na guerra o gesto tem o mesmo significado: mostrar ao agressor, ou ao vencedor, que se está desarmado e sem intenção de reagir. É outra atitude que já tem séculos de história, observada tanto no Oriente quando no Ocidente.

Mãos juntas para rezar

Simboliza a contemplação a Deus e pode ter se originado da maneira como os hindus cumprimentam as pessoas — mãos juntas próximas ao peito, cabeça baixa. Outra versão diz que as mãos unidas assim são a forma estilizada de o fiel cobrir o rosto com as mãos, como se não fosse digno de olhar para Deus ao rezar.

Metaleiro

Também é chamado de “cornuto” e representa o demônio. É o símbolo dos que participam de cultos satânicos. Nos shows, os metaleiros usam a mão chifruda para demonstrar fidelidade à mensagem das músicas e dos integrantes das bandas.

Mostrar a língua

O gesto já era um insulto havia muitos séculos, e aparece na Bíblia e em textos romanos. Filhas de Fórcis e Ceto, as górgonas Medusa, Euríale e Esteno eram três mulheres monstruosas que estavam sempre com a língua para fora. Tinham serpentes no lugar de cabelos, e a mais famosa delas, Medusa, era a única mortal.

OK

Para os brasileiros, o polegar e o indicador formando a letra “o” significa um gesto-palavrão, mas para os americanos é um sinal de aprovação, relacionado com a expressão “OK” Existem registros de seu uso no século I, quando o retórico romano Quintílio o descreveu com a mesma função em seu tratado sobre a oratória. Mas também há versões mais modernas sobre sua origem. A primeira diz que o “OK” teria surgido em 1840, durante a campanha do americano Martin Van Buren a seu segundo mandato na Casa Branca. Ele era apoia- do pelo Clube Democrático O.K., uma abreviação de Old Kinderhook (Velha Kinderhook), em homenagem à cidade natal do candidato. A outra versão diz que a sigla começou a ser usada durante a Guerra da Secessão, uma disputa entre o Norte e o Sul dos Estados Unidos. A fachada das casas exibia o OK para indicar zero killed, ou seja, nenhuma baixa na guerra civil.

Pedir silêncio

Hoje é comum colocar o indicador na frente dos lábios para pedir silêncio. Mas antes o gesto era feito com o dedo na frente do nariz e da testa. A deusa roma- na Muta, que simbolizava o silêncio, era representada dessa forma. Outro deus, dessa vez o egípcio Harpocrates, filho de Ísis, coloca o dedo nos lábios.

Positivo e Negativo

A explicação mais conhecida para este gesto vem da Roma Antiga, onde o símbolo era usado pelos imperadores para decidir a sorte dos gladiadores: polegar para cima significava perdão e, para baixo, a punição com a morte. Mas, na verdade, houve uma distorção dos termos em latim quando os gestos foram descritos. Para poupar o lutador, ele simplesmente mostrava a mão fechada e, para condená-lo à morte, mostrava o polegar em qualquer direção. A versão errônea ficou popular porque associamos o bem com tudo que está para cima e o mal com o que está para baixo, como o céu e o inferno.

Puxar a orelha

O puxão de orelha é um castigo, e nasceu na Grécia Antiga como advertência. Naquela época, em que o conhecimento era transmitido quase exclusivamente por via oral, os professores puxavam a orelha dos alunos, alertando-os para que prestassem atenção e não esquecessem o que haviam escutado, assim como para punir aqueles que não tinham guardado direito os ensinamentos.

Puxar os próprios cabelos

Sinal de desespero. Infligir esse sofrimento a si mesmo era uma maneira de tentar desviar a atenção do que causava uma dor mais profunda. O gesto é mencionado na Odisseia e na literatura épica da Índia, que tem mais de 5 mil anos.

V da vitória

Foi inventado pelo publicitário belga Victor de Lavalaye em 1941. Ele buscava um símbolo para a resistência à ocupação nazista e resolveu adotar o V, que representava a palavra “vitória” não só em inglês (victory), mas também em francês (victoire) e flamengo (vrijheid). O gesto foi imortalizado pelo primeiro-ministro inglês Winston Churchill, que passou a usá-lo em aparições públicas.

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