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Por onde anda Dartagnan, o corneteiro mais famoso do esporte brasileiro

2 de setembro de 2016

Quando a Seleção Brasileira de vôlei masculino conquistou a medalha de ouro, agora na Rio-2016, muitos torcedores – e eu me incluo nessa lista – devem ter se lembrado de um personagem que animou as arquibancadas do Maracanãzinho: o célebre corneteiro Dartagnan Jatobá. O torcedor que fez do ato de apoiar os atletas brasileiros uma verdadeira profissão não foi convidado para nenhum evento dos Jogos Olímpicos. Dartagnan ganhou evidência mundial a partir dos Jogos Olímpicos de  1992, quando o vôlei masculino ganhou o primeiro ouro. Em Barcelona, ele acompanhou a campanha vitoriosa da Seleção Masculina de Vôlei comandando uma barulhenta e animada torcida que conquistou até os adversários. O diretor norte-americano Spike Lee entrou para o grupo depois de acompanhar, de longe, a festa pela vitória sobre os Estados Unidos nas quartas de final. Oito anos depois nasceu a empresa “Equipe Dartagnan”, que atende marcas que apostam no potencial da animação da turma do Dartagnan para fazer publicidade sem custos na televisão durante os eventos esportivos. Uma estratégia inviável diante das rígidas regras do Comitê Olímpico Internacional para exposição de marcas nas arenas (basicamente, é proibida qualquer manifestação de cunho comercial, uma forma de proteger os patrocinadores oficiais do evento).

dartagnan corpo

A equipe do corneteiro Dartagnan (à direita, com a bandeira do Brasil) anima o evento-teste do atletismo para os Jogos Olímpicos no Estádio do Engenhão


Diretor de eventos da empresa e espécie de braço direito de Dartagnan, Roberto Santana não negou o desejo do companheiro em participar da edição histórica das Olimpíadas: “Até pensamos em comprar algum ingresso porque vamos aos Jogos desde 1988, em Seul, mas aí vimos o regulamento. Se não pode entrar com  instrumento, não pode entrar com corneta, vamos fazer o que lá?”. Um questionamento pertinente para uma empresa que emprega outras sete pessoas. “São todos músicos profissionais, a maioria de escolas de samba. Então, não é só barulho. Fazemos um desfile de escola de samba em qualquer lugar. E o Dartagnan está muito bem, continua torcendo do mesmo jeito de sempre”. Segundo ele, foram várias as mensagens procurando pela corneta mais famosa dos Jogos neste período olímpico: “As pessoas querem saber porque nós sempre estamos presentes nos eventos fora do país e, agora, no Rio de Janeiro, não somos vistos. São as regras do COI e do COB que dificultam”, explica.
Roberto lamentou que o amigo não tenha sido lembrado em nenhum momento pelos organizadores do evento: “Ficamos chateados. Ele até foi viajar durante os Jogos e nós combinamos que não daríamos nenhuma entrevista para não parecer que estávamos reclamando. O Zé Roberto Guimarães, treinador da Seleção Feminina de Vôlei, citou o Dartagnan numa entrevista à IstoÉ, disse que com ele a equipe embalaria para o tricampeonato, e aí vieram nos procurar. Mas não quisemos reclamar de nada. Acho que ele fez muito pelo esporte olímpico brasileiro, então poderia ter sido lembrado pelo menos para carregar a tocha olímpica. Vamos ver se conseguimos fazer alguma coisa nos Jogos Paralímpicos”, anuncia Roberto.
A história de Dartagnan no esporte começou em 1982, acompanhando competições de vôlei de praia e quadra no Rio de Janeiro. Um ano depois, o Brasil lotou o Maracanã para uma partida de vôlei contra a então campeã olímpica União Soviética. A atuação da torcida comandada por Dartagnan na histórica vitória brasileira foi elogiada até pelo narrador Luciano do Valle, que havia promovido o evento. Dali em diante, o corneteiro chamou a atenção de empresas que passaram a bancar viagens nacionais e internacionais. Foi daí que surgiu a ideia de transformar aquilo em algo profissional, o que se concretizou de maneira oficial em abril de 2000.
Hoje, a participação da equipe tem se concentrado nos eventos nacionais de atletismo. Há 15 anos, eles mantêm um contrato com a Caixa e animam a torcida, inclusive nos eventos paralímpicos organizados pelo banco estatal e pela Confederação Brasileira de Atletismo. “Coloco tudo no orçamento: ingresso, transporte, alimentação…”, conta Roberto. Além disso, Dartagnan e companhia costumam estar presentes em outras competições dos mais variados esportes, inclusive no GP do Brasil de Fórmula 1: “Ficamos por anos oferecendo o serviço, mas não éramos respondidos. Até que, em 2006, a Shell se interessou. Os convidados da empresa chegariam em Interlagos cinco horas antes da corrida, o que iriam fazer lá aquele tempo todo? Resolveram nos chamar e foi o maior sucesso. Até porque o Felipe Massa ganhou a corrida. Foi um Carnaval no autódromo”, lembra.
Alguns eventos, no entanto, dependem de muita sensibilidade. Um dos maiores exemplos é o tênis, onde o silêncio é fundamental durante os pontos. Presença constante nas partidas do Brasil na Copa Davis, o torneio entre equipes nacionais, Dartagnan tem plena consciência disso. Quem garante é o amigo Roberto: “Ele comanda a torcida o tempo todo e faz o que quiser. Quando o tenista vai sacar, ele fica em silêncio e todo mundo o acompanha. Terminando o ponto, se o brasileiro levou a melhor, fazemos a maior festa até o saque seguinte. É normal, ainda mais na Davis”. Ele assegura que nenhum adversário chegou a reclamar da festa.

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