Os quadrinhos do Fantasma, o Espírito-Que-Anda, ainda hoje têm lugar de destaque no coração e na mente de muitos leitores. Criado pelo quadrinista americano Lee Falk, o Fantasma surgiu nas tiras de jornal em 1936. Ele foi o primeiro herói de aventura vestido de malha colante e máscara de “olhos brancos”, sem as pupilas desenhadas. “Esse visual influenciaria todos os futuros criadores de super-heróis”, explica o especialista Silvio Alexandre.

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Na história, o Fantasma nasceu há mais de 500 anos. Um juramento para acabar com a crueldade e a injustiça é passada de pai para filho, fazendo dele um herói imortal. Seus descendentes vestem o mesmo traje, fortalecendo a lenda de ser sempre o mesmo homem. Atualmente, os fãs acompanham as aventuras de Kit Walker, o 21º Fantasma. Em sua luta contra o mal, ele usa dois anéis. Um na mão esquerda, com quatro sabres, para marcar aqueles que estão sob a sua proteção. Outro na mão direita, com uma caveira, que deixa uma cicatriz no rosto de seus inimigos.

O Fantasma foi publicado pela primeira vez no Brasil em 1936, nos encartes semanais do periódico carioca “O Correio Universal”. Passou, depois disso, por diversas publicações, como “O Globo Juvenil”. Entre as décadas de 1950 e 1980, a RGE, editora de Roberto Marinho, alcançou a impressionante marca de 371 edições da revista “Fantasma”.

Nas telas, o personagem surgiu em 1943 no seriado “The Phantom”. Nessa época, os seriados eram produzidos em temporadas de 15 episódios, para serem exibidos nas matinês das tardes de domingo, junto aos desenhos animados. Cada capítulo durava 30 minutos e, no final, sempre havia uma armadilha para o herói, que fazia a garotada querer voltar no domingo seguinte.

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Em suas aventuras, o Fantasma já esteve no Brasil e voou de asa delta no Rio de Janeiro. Seu criador, Lee Falk, também esteve no Brasil. Ele participou do Congresso Internacional de Histórias em Quadrinhos, em 1970, organizado pela Escola Panamericana de Arte e realizado no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

“Na sua origem, o Fantasma pode ser criticado como o herói branco em terras africanas, que traz paz e segurança, graças à sua força e poder”, afirma Silvio Alexandre. “Mas o personagem evolui ao longo dos anos e abandonou essa visão colonialista, fazendo críticas à ganância, aos regimes ditatoriais e a todos que agridem o meio ambiente”.