O primeiro som que ouvi esta manhã em Johanesburgo não foi o do despertador, programado para me acordar às 7h30. O que eu ouvi logo cedo foi o som de uma solitária vuvuzela. Os sul-africanos programaram um “vuvuzelaço” para incentivar os Bafanas-Bafanas, que estão hospedados a poucos metros do meu hotel. Embora estivesse marcada para o meio-dia, a concentração começou bem cedo e foi um sucesso. A porta do hotel estava abarrotada e o barulho foi ensurdecedor. Se uma vuvuzela incomoda muita gente, centenas de vuvuzelas incomodam muito mais!
VUVUZELAS
A vuvuzela é uma corneta de plástico barulhenta, igual a que são vendidas no Brasil. Ela ganhou notoriedade nos jogos de futebol do país. Os torcedores ficam soprando em seu bocal os 90 minutos sem parar. A Fifa autorizou o uso do instrumento durante a Copa do Mundo, mesmo diante da reclamação de técnicos e torcedores. Hoje, porém, a loucura era tão grande que vuvuzelas eram ouvidas até dentro de restaurantes e pelos corredores dos shoppings. O som de uma vuvuzela pode atingir 125 decibéis – quase o mesmo que uma britadeira.
A revista “Kick Off”, da África do Sul, aproveitou a onda e publicou uma reportagem sobre o inventor da vuvuzela. Fotos revelam que Isaiah Shembe, líder da Igreja Batista Nazareth, tocava um trumpete metálico, igual a uma vuvuzela, já na década de 1910. Ela se chamava “imbomu”. Até essa revelação ser publicada quem levava a fama pela invenção era Freddie “Sadaam” Maake, torcedor do time do Kaizer Chiefs. Uma certeza é que foi ele quem levou o instrumento para as arquibancadas dos jogos de futebol na década de 1950.

Para comprovar adoração dos sul-africanos pela corneta, encontrei uma loja hoje um CD-duplo com músicas de cantores famosos em versões para vuvuzela. É o “Vuvuzela Hits”. Na saída do bairro de Sowetto, fotografei uma instalação com cinco vuvuzelas espetadas no chão. Durma-se com um barulho desses!

Ah, os torcedores da África do Sul não gostaram muito da notícia, mas a reportagem da “Kick-Off” descobriu que o instrumento criado por Shembe, que teria inspirado as vuvuzelas, era usado em funerais.