Os Jogos Olímpicos de Londres começaram, oficialmente, com uma festa cheia de dança, música e humor. Foi divertido ver a cena da Rainha Elizabeth “pulando de paraquedas” com o agente secreto 007 (Daniel Craig) e Mr. Bean (Rowan Atkinson) entrar no filme “Carruagens de Fogo”. Mas, no meio de tanta euforia, há também os críticos e quem discorde que o maior evento esportivo do planeta seja tão benéfico como parece ser.
Enquanto as ruas de Londres fervem com a presença de turistas, imprensa e esportistas do mundo todo, a instituição londrina Free Word promove o evento Política e Olimpíadas: Ideias e Realidade, que deseja escancarar a face dos Jogos envolvida em pressões comerciais e políticas. A mostra começou no dia 1º de maio e vai até 8 de setembro. O tumblr do evento reúne casos de terrorismo, violência e falta de organização ocorridos durante Jogos Olímpicos ao longo da história. Um dos vídeos postados pelo grupo mostra um segurança empurrando um ciclista durante a passagem da tocha olímpica em Suffolk (Inglaterra) no início deste mês:

Tom Scott, internauta britânico influente no meio geek, simpatiza com a causa do Free Word. Como forma de protesto, fez uma paródia da propaganda do McDonald’s – patrocinador oficial das Olimpíadas –, ironizando a supervalorização do evento esportivo e mostrando a influência negativa dos Jogos no cotidiano dos moradores da cidade. A campanha We All Make The Games (“Todos nós fazemos os Jogos”) ganhou um aposto na versão de Scott – most of us wish we didn’t have to (“A maioria de nós não gostaria de ser obrigado a fazer”).

A cerimônia de abertura também recebeu críticas antes mesmo de começar. Uma das maiores tragédias relacionadas aos Jogos Olímpicos aconteceu em 1972, quando o evento foi sediado em Munique. No dia 5 de setembro, 11 atletas israelenses foram mortos por terroristas palestinos. Foi a primeira vez na história que os Jogos foram interrompidos. No entanto, o massacre não bastou para que o evento fosse cancelado – 34 horas depois do ocorrido, tudo voltou ao normal.
Este ano, a tragédia completa 40 anos. O grupo Just One Minute, formado por familiares das vítimas e simpatizantes da causa israelense, publicou na semana passada um anúncio nos principais jornais ingleses, pedindo ao Comitê Olímpico Internacional (COI) um minuto de silêncio dedicado às vítimas do massacre de 1972.  O grupo critica o COI por nunca ter aceitado esse pedido. No anúncio, eles perguntam: “Um minuto é muito para o COI?” O minuto de silêncio foi concedido em uma cerimônia na Vila Olímpica na última segunda-feira (23), mas o grupo não se fez por satisfeito: queria que a homenagem fosse feita durante a abertura dos Jogos, quando a audiência chega a 1 bilhão de pessoas. O primeiro-ministro inglês David Cameron rejeitou a proposta.

Há ainda um grupo anti-Olimpíadas que usa o humor para fazer um protesto mais descontraído, mas não menos impactante. O site That Big Event in London (“aquele evento gigantesco em Londres”) vende camisetas e sacolas com frases irônicas sobre a grandiosidade dos Jogos Olímpicos. Uma das camisetas à venda diz: “Só demorei três horas para chegar ao trabalho hoje”. Há também “Aluguei o meu apartamento para uma família americana gorda” e “Todos eles usam anabolizantes”. Cada peça custa 15 libras (cerca de 50 reais) e é feita em parceria com uma comunidade de mulheres do Malawi, país africano.