A Portuguesa lançou mais uma camisa comemorativa em homenagem a seus grandes ídolos. O primeiro foi Capitão. Agora chegou a vez de Dener. Na estampa, além do retrato e do autógrafo do atleta, há o desenho do maravilhoso gol marcado pelo jogador contra o Inter de Limeira, pelo Campeonato Paulista de 1991. A Lusa venceu por 1 x 0.

CAMISA EM HOMENAGEM A DENER

Dener teve uma breve, mas marcante carreira no futebol brasileiro. Começou ainda criança, aos 11 anos, quando foi descoberto pela Portuguesa. Em 1982, o menino pisou pela primeira vez no estádio do Canindé, defendendo o time mirim da Lusa. Aos 15 anos, ele foi obrigado a dar uma pausa na carreira para ajudar no sustento da família – era órfão de pai desde os 8 anos. Dois anos depois, Dener voltou aos campos. Primeiro, tentou jogar na base do São Paulo. Não se adaptou à equipe tricolor e voltou à Portuguesa dois meses depois.

HOMENAGEM DA LUSA A DENER

Em 1991, Dener explodiu de vez na Copa São Paulo de Juniores. Ele foi eleito o melhor jogador da competição, sendo decisivo para a conquista do título pela invicta Lusa. Depois disso, passou para o time principal. Foi nessa fase que Dener fez o gol mais bonito da carreira, eternizado na camisa. O camisa 10 costumava dizer que achava mais bonito driblar do que marcar um gol. Nas 141 partidas em que atuou pela Portuguesa, Dener marcou 24 gols.

No mesmo ano, o craque foi escalado para a Seleção Brasileira pré-olímpica, estreando contra a Argentina em Buenos Aires. Em 1993, ele foi emprestado para o Grêmio, sagrando-se campeão gaúcho, único título profissional do jogador. No Campeonato Brasileiro do mesmo ano, ele jogou na Portuguesa, que terminou na 9ª colocação. No início de 1994, mudou-se para o Vasco, não demorando para virar ídolo da torcida. Foi aí que veio a tragédia.

Às 5h15 da manhã do dia 18 de abril de 1994, Dener sofreu um acidente de carro fatal, à margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Quem dirigia era um amigo de Dener, que cochilou ao volante. O carro se chocou contra uma árvore e Dener, que dormia no banco do passageiro, foi sufocado pelo cinto de segurança. Um dia antes, ele tinha se reunido com os dirigentes do Stuttgart, da Alemanha, que queriam comprar seu passe. No local do acidente, foi colocada uma placa com a frase “Aqui morreu um poeta do futebol”. O objeto, no entanto, desapareceu. No lugar dele, alguém improvisou uma homenagem escrita à mão, que hoje está pintada na calçada.

A morte de Dener provocou uma onda de reação contra o uso do cinto de segurança no país, que só foi aplacada em 1998, com a aprovação da lei que obriga os motoristas a utilizarem o equipamento. A justificativa de especialistas é que Dener usava-o de maneira incorreta: com o encosto do banco reclinado demais, o cinto apoia-se no pescoço do passageiro, provocando risco de estrangulamento.
Morto aos 23 anos, Dener deixou mulher e três filhos, que brigam até hoje na Justiça pelo direito a seu seguro de vida. Da Portuguesa, a viúva conseguiu a indenização almejada. Com o Vasco, a batalha ainda não teve fim. A família só conseguiu o direito a seu seguro de vida em 2007, 13 anos depois da tragédia. O privilégio, no entanto, acabou em 2010, com a entrada de Roberto Dinamite na presidência do clube. Desde então, o Vasco interrompeu o pagamento da pensão de 50 mil reais mensais à viúva. Os garotos de 18, 20 e 23 anos já tentaram seguir a carreira futebolística do pai. Não tiveram sorte: dois deles já foram dispensados pela Portuguesa.
O próximo ídolo da Portuguesa que receberá a homenagem da camisa comemorativa será o meio-campista Enéas (1954-1988).